CRIME BÁRBARO EM CUIABÁ
Cunhada tinha ciúmes de menor e tentou interferir em investigação

Mariane foi presa acusada de envolvimento na morte de adolescente; irmão da vítima está preso

Victor Ostetti/MidiaNews

Caio Albuquerque, delegado titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa

Caio Albuquerque, delegado titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa

O delegado Caio Albuquerque, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que Mariane Mara da Silva, de 36 anos, tinha ciúmes da cunhada, de 17 anos, que foi encontrada morta no dia 11 de março, em Cuiabá.

Os autores estão nesse núcleo familiar. Os indícios convergem para o irmão e sua companheira, cunhada da vítima

Marcos Pereira Soares, irmão da vítima e marido de Mariane, foi preso no dia seguinte ao crime, acusado de estuprar, assassinar e jogar o corpo da jovem em um córrego nos fundos de sua casa, no bairro Três Barras. Já Mariane foi presa na última quinta-feira (26), acusada de envolvimento na morte.

Segundo a Polícia Civil, o caso é tratado como feminicídio e pode ter sido motivado por ciúmes e controle dentro da relação do casal investigado.

“Os autores estão nesse núcleo familiar. Os indícios convergem para o irmão e sua companheira, cunhada da vítima. As cunhadas não tinham uma boa relação, elas não se gostavam. A que foi presa tinha certo ciúme da vítima”, explicou o delegado.

A mãe da vítima foi ouvida e relatou um comportamento de ciúmes e controle por parte de Mariane.

“Ela relata que a suspeita tinha um péssimo relacionamento, principalmente com as mulheres da família. Apontou-a como sendo uma pessoa muito ciumenta, que tinha um controle muito grande sobre a vida e os relacionamentos do suspeito”, completou a delegada Jéssica Cristina de Assis.

De acordo com a delegada, a mãe da vítima desconfiou de Mariane desde o princípio, mesmo sem elementos muito concretos à época.

Victor Ostetti/MidiaNews

Jéssica Assis

Delegada Jéssica Cristina de Assis, da DHPP

“Toda a família apontou que ela já parecia saber detalhes do modus operandi, de como o crime foi cometido, antes mesmo de o corpo ser encontrado. Isso foi sendo corroborado por todas as testemunhas e familiares que ouvimos”, afirmou a delegada.

Comportamento suspeito

 

A Polícia Civil passou a desconfiar do envolvimento de Mariane a partir de uma série de comportamentos considerados atípicos antes, durante e depois do crime.

Segundo a delegada, a suspeita apresentou contradições em depoimentos, além de tentar interferir nas investigações, procurando a delegacia diversas vezes sob pretextos variados, enquanto buscava informações sobre o que testemunhas haviam dito.

Testemunhas relataram que a suspeita fez diversas ligações para Marcos no dia do desaparecimento da adolescente, cobrando pressa por uma suposta mudança de residência do casal.

Segundo a Polícia, o casal passou por acareação para confrontar as versões. Os dois apresentaram versões conflitantes e passaram a se acusar mutuamente pela autoria do crime, um jogando a culpa no outro.

Entre os elementos que reforçam a suspeita contra Mariane estão vestígios materiais. Uma peça de roupa pertencente a ela foi identificada como o instrumento utilizado para estrangular a vítima, conforme apontado pela perícia.

Para os investigadores, a forma como o corpo foi ocultado indica que o crime não foi cometido por apenas uma pessoa.

Apesar dos avanços, a Polícia Civil afirma que ainda há pontos a esclarecer, principalmente sobre a dinâmica do crime e o grau de participação de cada um dos envolvidos.

“A investigação ainda não está fechada. Precisamos entender como tudo aconteceu e se há outras pessoas envolvidas”, afirmou a delegada Jéssica.

Os dois suspeitos permanecem presos, e a DHPP segue com diligências para concluir o caso dentro do prazo legal.