Mauro diz que partido conclui definição sobre deputados até amanhã.
A pressão por uma definição imediata dentro do União Brasil, exposta mais cedo pelo deputado estadual Eduardo Botelho, ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (01.04). Em resposta às declarações do parlamentar, o ex-governador e presidente estadual da sigla, Mauro Mendes, afirmou que já havia um acordo para que Botelho deixasse o partido, mas indicou que o deputado pode ter recuado da decisão.
A fala foi feita durante entrevista à imprensa na sede do partido, em Cuiabá, no momento em que o União enfrenta um dos principais impasses políticos deste início de articulações eleitorais: a montagem da chapa proporcional para deputado estadual em um cenário de excesso de nomes competitivos.
Mais cedo, Botelho havia afirmado que a definição sobre quem fica e quem sai da legenda precisava ocorrer ainda hoje, para que o anúncio fosse feito já na quinta-feira (02.04). Ele ressaltou que a federação entre União Brasil e PP não comporta todos os deputados interessados em disputar a reeleição, indicando que parte do grupo terá que buscar outras siglas.
Ao comentar diretamente a situação, Mauro Mendes foi além e revelou que a saída de Botelho já havia sido tratada internamente como parte da estratégia para viabilizar a chapa. Segundo ele, o próprio deputado teria concordado com o movimento após discussões com a direção do partido e pré-candidatos.
“O Botelho ontem confirmou, a pedido nosso, que iria para o MDB. Ele se propôs a sair para colaborar com a chapa. Não está saindo porque quer, mas para ajudar na construção”, afirmou.
O presidente do União detalhou que a dificuldade central está na concentração de deputados com votação elevada dentro da mesma chapa, o que acaba afastando novos candidatos. De acordo com Mauro, o partido tem hoje nomes com desempenho eleitoral consolidado, o que cria um ambiente pouco atrativo para quem pretende disputar.
“São quatro deputados estaduais, todos com votação na casa de 30, 40 mil votos, alguns até mais. É muito difícil montar uma chapa assim, porque ninguém enxerga a possibilidade de competir com esses nomes. E, sem novos candidatos, a chapa não se sustenta”, explicou.
Dentro dessa lógica, a saída de um dos parlamentares com mandato passou a ser tratada como solução política para equilibrar a disputa interna e ampliar a competitividade do grupo. Botelho, segundo Mauro, teria sido um dos que se dispuseram a fazer esse movimento, migrando para o MDB.
Apesar disso, a declaração pública do deputado, indicando que ainda não havia definição sobre sua saída, causou estranhamento na cúpula do partido. Mauro Mendes afirmou que a posição anterior havia sido assumida de forma clara, inclusive em conversas com outros pré-candidatos.
“Ele falou isso ontem, no viva-voz, com várias pessoas. Foi uma conversa aberta. Se mudou de ideia, eu não estou sabendo”, disse.
Mauro Mendes evitou antecipar nomes ou decisões finais, mas reforçou que o prazo é curto e que a definição precisa ser concluída entre esta quarta-feira e quinta-feira. “De hoje para amanhã define”, afirmou.











