Salários atrasam e VG perde profissionais para Estado e Cuiabá.

Enquanto tenta reorganizar a rede municipal e preparar um novo concurso público, a Secretaria de Educação de Várzea Grande ainda lida com reflexos diretos de falhas administrativas que resultaram em contratos sem pagamento e perda de profissionais para outras redes com melhor remuneração.

A situação foi detalhada nesta segunda-feira (13.04) pela secretária de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Maria Auxiliadora Figueiredo, ao afirmar que encontrou cerca de 400 contratos sem pagamento ao assumir a pasta e precisou refazer todo o processo para regularizar a situação.

Segundo a gestora, os profissionais afetados devem receber os valores por meio de folha complementar, com previsão de pagamento entre esta segunda (13) e terça-feira (14), após a conferência individual dos contratos.

“Eu precisei voltar contrato por contrato, carga horária por carga horária, para verificar se o profissional realmente trabalhou. Eu não posso pagar sem essa conferência, mesmo que o erro não tenha sido cometido por mim”, explicou.

De acordo com a secretária, o problema teve origem em falhas no fluxo administrativo, especialmente na comunicação entre as unidades escolares e o setor de Recursos Humanos (RH), o que impediu que contratos fossem devidamente lançados na folha de pagamento dentro do prazo.

“Eu não consigo identificar exatamente onde ocorreu o erro, porque não estava aqui. Mas tudo recai para o RH, então é esse setor que precisa ser ajustado”, afirmou.

Evasão de profissionais por baixos salários

Além dos atrasos, a secretária apontou que a defasagem salarial da rede municipal tem provocado perda de profissionais para outras redes, principalmente o Governo do Estado e a Prefeitura de Cuiabá, que oferecem remuneração superior.

Segundo ela, ao serem aprovados em mais de um processo seletivo, os profissionais acabam optando pelas melhores condições.

“O professor escolhe onde vai trabalhar. Ele passa em Cuiabá, no Estado e em Várzea Grande. Com a diferença salarial que temos hoje, ele acaba optando por quem paga melhor”, disse.

A maior dificuldade, conforme destacou, está na contratação e permanência de profissionais técnicos, considerados atualmente o principal gargalo da rede. “Os técnicos são hoje a nossa maior dor. São os que mais sofrem com a defasagem salarial”, afirmou.

Regularização da rede e contratos

A secretária afirmou que, após as medidas adotadas, a situação das unidades foi estabilizada e os quadros de profissionais estão praticamente completos. Segundo ela, o fluxo atual de contratações deve se restringir a substituições pontuais, como afastamentos, licenças ou aposentadorias.

“Hoje você chega na Secretaria e ela está tranquila, porque os quadros das escolas já estão completos. Agora são situações pontuais que surgem ao longo do ano”, pontuou.

Sobre as denúncias relacionadas ao processo seletivo, a gestora disse que a atual administração tem buscado corrigir os prejuízos dentro dos limites legais, sem comprometer o funcionamento das escolas.

“Eu não posso cancelar tudo e começar do zero, porque prejudico diretamente as crianças. O que estou fazendo é corrigir o que é possível dentro da legalidade”, explicou.

Entre as medidas adotadas está a reavaliação de casos individuais de profissionais que alegaram prejuízo na classificação, com inclusão em listas de prioridade para futuras convocações.

A secretária afirmou que os problemas enfrentados devem servir de aprendizado para a gestão e reforçou que as correções estão sendo feitas gradualmente, com foco na regularização da rede e na manutenção das atividades escolares.