“Silêncio Comprado” investiga irregularidades na execução de contratos de hospital em cidade de MT.

A morte da arquiteta e urbanista Larissa Pompermayer Ramos, de 29 anos, foi o caso que desencadeou as investigações sobre um suposto esquema de corrupção ligado à gestão do Hospital Municipal Euclides Horst, em Campo Novo do Parecis (a 402 quilômetros de Cuiabá).

É um absurdo que isso tenha acontecido, parece um pesadelo e eu fico me debatendo para acordar

Na manhã desta terça-feira (25), a Polícia Civil deflagrou a Operação Silêncio Comprado, que investiga uma suposta tentativa de interferência nos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pela Câmara Municipal para apurar possíveis irregularidades na gestão da unidade hospitalar.

As investigações tiveram início após a repercussão do atendimento prestado à jovem em um parto no hospital. Em decorrência de complicações no pós-operatório, ela morreu no dia 18 de novembro de 2025.

Larissa morava em Campo Novo do Parecis e deu entrada no Hospital Municipal Euclides Horst no dia 2 de novembro para dar à luz à filha. Conforme relatos da família, a jovem teria sido induzida a realizar uma cesariana por não apresentar dilatação suficiente.

Dias após o procedimento, Larissa começou a apresentar febre e fortes dores abdominais. Seu quadro clínico se agravou gradativamente até que ela fosse transferida para o Hospital Santa Helena, em Cuiabá.

No dia 18 de novembro, a arquiteta morreu em decorrência de uma sepse, infecção generalizada. A filha de Larissa sobreviveu e está aos cuidados da família.

Na época, a mãe da arquiteta, a assistente social Vânia Pompermayer, criticou a condução do caso pelo hospital.

“É um absurdo que isso tenha acontecido, parece um pesadelo e eu fico me debatendo para acordar”, disse ela em entrevista.

A repercussão do caso motivou questionamentos sobre o atendimento prestado na unidade hospitalar e levou ao início das investigações que culminaram na operação deflagrada nesta terça-feira.

A operação 

Ao todo, são cumpridas 20 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, bloqueio de valores, medidas cautelares diversas da prisão e quebras de sigilo telefônico e telemático. As determinações foram deferidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias do Polo de Tangará da Serra.

Os mandados são cumpridos em Campo Novo do Parecis, Arenápolis, e nas cidades de Barueri e Cotia, no estado de São Paulo, com foco na coleta de elementos probatórios, identificação da extensão dos fatos investigados e preservação do patrimônio público.

 

As investigações da Deccor iniciaram após o recebimento de denúncia encaminhada pelo Ministério Público, relacionada à suposta oferta de vantagem indevida para influenciar os trabalhos da CPI, bem como a possíveis irregularidades na execução de contratos de gestão do Hospital Municipal Euclides Horst.

Entre os fatos apurados estão indícios de pagamentos por serviços supostamente não prestados, emissão de notas fiscais fraudulentas ou ideologicamente falsas, movimentação irregular de recursos públicos e possível desvio de valores vinculados à administração da unidade hospitalar.

De acordo com os elementos reunidos até o momento, há indícios, em tese, da prática de crimes contra a Administração Pública, especialmente corrupção ativa, sem prejuízo da apuração de outros delitos que possam ser identificados no curso das diligências.