Maysa afirma que há suspeitas de superfaturamento, obras abandonadas e contratos sem transparência.
A vereadora de Cuiabá, Maysa Leão (Republicanos), protocolou nesta quinta-feira (28.05) um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar contratos firmados pela Secretaria Municipal de Educação entre 2021 e 2025. A parlamentar afirma que recebeu denúncias envolvendo possíveis irregularidades em compras de materiais, uniformes, mobiliários e obras da rede municipal.
A declaração foi dada após o prefeito da Capital, Abilio Brunini (PL), afirmar publicamente existir suspeita de irregularidades que poderiam gerar prejuízo milionário aos cofres públicos, incluindo a aquisição de livros que custariam cerca de R$ 800 e que, segundo ele, teriam sido produzidos com auxílio de inteligência artificial.
Segundo Maysa, as denúncias já vinham chegando ao gabinete antes mesmo da fala do prefeito. Ela afirma que transformou parte dessas reclamações em requerimentos de informação e também iniciou levantamentos junto ao Portal da Transparência.
“Ontem a declaração do prefeito corroborou com tudo isso que a gente vem recebendo há algum tempo, não só sobre materiais letivos, mas também sobre compra de uniformes, parquinhos e outros contratos”, declarou.
A parlamentar afirmou que a CPI pretende apurar contratos relacionados à compra de livros didáticos e paradidáticos, sistemas apostilados, kits pedagógicos, material escolar, móveis, manutenção predial e reformas de unidades escolares.
Conforme a vereadora, um dos principais problemas encontrados é a falta de clareza nas informações disponibilizadas pela Prefeitura. “A gente entra no Portal Transparência e isso não está à disposição. Os requerimentos também não são respondidos”, criticou.
Maysa também citou denúncias envolvendo abandono de obras em escolas municipais. Segundo ela, há relatos de que empresas teriam interrompido serviços por falta de pagamento. A vereadora afirmou ainda que, caso fique comprovada contratação de empresas sem capacidade de execução, também poderá haver apuração por improbidade administrativa.
A CPI deverá analisar contratos firmados ainda na gestão anterior e aqueles que foram mantidos ou repactuados pela atual administração. “Precisamos entender como esses contratos começaram e como estão sendo conduzidos”, afirmou.
A vereadora também reclamou do fato de o prefeito ter citado órgãos de controle, como Tribunal de Contas do Estado (TCE), Ministério Público (MPE), Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), sem mencionar a Câmara Municipal.
“Quando ele fala em fortes indícios de irregularidades e dano de até R$ 80 milhões ao erário, cabe à Câmara investigar também”, disse.
Ao comentar a dificuldade para conseguir assinaturas de vereadores para abertura de CPIs na Casa, Maysa afirmou que a base de apoio do prefeito estaria enfraquecendo. “Essa base consolidada que o prefeito tinha está ruindo cada dia mais”, declarou.
Ela ainda citou o episódio envolvendo a derrubada de árvores em Cuiabá, tema levantado pela vereadora Dr. Mara (Podemos), como exemplo de desgaste entre parlamentares e o Executivo municipal.
Apesar do cenário, Maysa disse acreditar que a pressão popular pode influenciar a abertura da investigação. “Quem não quer investigar os contratos da Educação? Essa é a pergunta que a sociedade precisa fazer”, concluiu.














