Declarações recentes do jornalista e influenciador Paulo Figueiredo, que afirmou em seu podcast que as mulheres “votam estatisticamente mal” e criticou a atuação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), foram amplamente criticadas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Após a sessão de quarta-feira (1), deputados estaduais manifestaram repúdio ao posicionamento do aliado de Flávio Bolsonaro, classificando o episódio como um retrocesso e um reflexo de estruturas patriarcais que ainda limitam o protagonismo feminino na política.
O deputado e presidente da ALMT, Max Russi (Podemos), defendeu a igualdade absoluta de condições e a necessidade de ampliar o espaço das mulheres nos partidos e nos cargos eletivos, rebatendo qualquer lógica de diferenciação por gênero.
“Não existe mais diferença e não pode existir diferença nenhuma entre homem e mulher. A mulher tem que ocupar todos os espaços que ela tenha o desejo de ocupar, de todas as formas, tem buscado cada vez mais espaço. Essa eleição, que acho que vai ser muito forte de candidatas mulheres. Todo mundo tem capacidade, tem condição de fazer as melhores escolhas, de escolher os melhores candidatos. O importante não é o sexo, mas quem te representa bem, quem faz o seu trabalho e entrega o melhor dentro da função que ele ocupa. Qualquer discriminação ou fala preconceituosa, diferente disso, está totalmente errada com o momento em que a gente vive”, afirmou o parlamentar.
Por outro lado, o deputado Valdir Barranco (PT) contextualizou o episódio sob a ótica da organização interna do grupo político aliado a Figueiredo. Para o petista, as críticas direcionadas a Michelle Bolsonaro evidenciam barreiras históricas e familiares.
“Não havia nenhuma hipótese, em uma família patriarcal, de uma mulher assumir a liderança. Ainda mais uma mulher que não é do DNA da família. Se algum dia alguém pensou que ela teria algum espaço de protagonismo nesse projeto, ela não teria. E agora, acho que definitivamente aquelas diferenças que eles têm e que ficavam dentro das paredes das casas da família acabaram extravasando e acho que, como diz o ditado, ‘azedou o pé do frango’. A situação realmente ficou difícil para eles. Cada dia mais escândalos, cada dia mais vai aparecendo o lamaçal nojento que representa essa família e a elite da extrema-direita e o seu modus operandi”, analisou Barranco.
O deputado Carlos Avallone (PSDB) iniciou sua análise contextualizando o papel do influenciador Paulo Figueiredo no cenário político e alertando para o impacto imediato que tais declarações trazem para a própria ala conservadora, especialmente pelo histórico de falas polêmicas.
“Esse Paulo Figueiredo é aquele que está lá nos Estados Unidos ao lado do Eduardo Bolsonaro, né? Fazendo bastante confusão lá. A fala é um dos maiores absurdos que você possa escutar. E ela vindo acompanhada das falas da Michelle Bolsonaro, dizendo como ela está sendo tratada, é muito ruim para a candidatura da direita. Muito ruim. Eles estão perdendo um eleitorado aí, que vai pensar três vezes para votar novamente. Já teve problema no passado, falas fora do contexto, que atrapalharam muito. E agora, não dá nem para falar que é fora do contexto, é no contexto. Eles quiseram dizer o que disseram. Então, eu acho que isso é muito ruim”, afirmou Avallone.
Na sequência, o parlamentar cobrou um posicionamento firme e unido da bancada feminina, relacionando a necessidade de representatividade com os índices alarmantes de violência doméstica no estado de Mato Grosso, além de destacar ações práticas que já vêm sendo conduzidas no parlamento municipal de Cuiabá.
“As mulheres têm que se posicionar, sem dúvida nenhuma. […] E elas têm que se posicionar claramente sobre todos os assuntos que falarem a respeito das mulheres. Porque o momento é muito ruim. É um Estado que mais mata mulher, o quinto que mais agride mulher. Então, nós precisamos tomar atitudes. […] Então, sim, esse posicionamento tem que ter tido com firmeza de todas as mulheres e dos homens também. É que tem que acompanhar isso e apoiar para que a gente tente mudar essa realidade absurda que as mulheres sofrem […] e muitos homens, que nem esse Paulo Figueiredo, falam esses absurdos, essas besteiras a respeito das mulheres”, concluiu o deputado.
Fonte : DG















