Mãe relata momentos de desespero ao encontrar o corpo da filha.

Após o Tribunal do Júri ouvir os dois delegados responsáveis pela investigação, a mãe de Raquel Cattani sentou no banco das testemunhas. Bastante emocionada, Sandra Cattani contou a rotina da filha e o desespero de encontrá-la sem vida.
As informações do júri estão sendo repassadas pela assessoria de comunicação do TJ à imprensa. Por volta das 11h31, Sandra iniciou seu depoimento contando que estranhou a ausência de Raquel na manhã do crime, já que era habitual a filha aparecer cedo em sua casa. Preocupada, ela decidiu ir até a residência da jovem para verificar o que havia acontecido.
Segundo relatou, a porta estava fechada. Ao entrar, encontrou Raquel caída no chão. Inicialmente, pensou que a filha pudesse ter passado mal, mas ao se aproximar percebeu que o corpo estava gelado e rígido. Contou que chamou a filha, mas entendeu que ela estava morta. Lembrou que não conseguia acreditar no que estava vendo.
Segundo a mãe, a filha e o ex-companheiro, Romero, estavam afastados e que, um dia antes do crime, ele havia buscado os filhos para passarem a noite na casa da avó, em razão do aniversário de um deles. Durante o almoço em família, segundo a mãe, Raquel evitou tirar fotos com Romero, demonstrando o distanciamento entre o casal.
Mais tarde, Romero teria chorado ao se despedir da família, o que chamou a atenção de Sandra. Depois disso, ele saiu com as crianças e, conforme o relato, seguiu para a casa de Raquel. No fim da tarde, mãe e filha ainda se encontraram brevemente. Raquel comentou que, no dia seguinte, passaria na casa de uma amiga para provar um vestido antes de viajar. Esse foi o último contato entre as duas.
Em outro trecho, a testemunha explicou que o casal vivia um ciclo de separações e reconciliações, mas que Raquel estava decidida a não reatar o relacionamento. Mesmo casados no papel, estavam separados de fato há cerca de 30 dias. Raquel dizia que não aguentava mais e que queria seguir em frente.
A mãe contou que, após o término, Raquel passou a dormir com frequência na casa dos pais, pois não se sentia à vontade para ficar sozinha. O contato com Romero era mantido apenas por causa dos filhos.

Durante questionamento do Ministério Público, Sandra relatou que as crianças hoje estão sob os cuidados da família e que sabem da morte da mãe. Emocionada, afirmou que os pequenos sentem muita falta de Raquel.
Sandra confirmou que Romero teve dificuldades em aceitar o fim do relacionamento, mas que, com o tempo, houve acertos informais sobre bens e os cuidados com os filhos, sem formalização em cartório. Disse ainda que Rodrigo, irmão de Romero, não tinha convivência com a família e que, segundo ela, os irmãos passaram anos sem contato.
Sandra afirmou que Romero tinha acesso ao celular de Raquel sem a permissão dela. Segundo a testemunha, ele chegou a expor conversas privadas da vítima com um amigo, retiradas do aparelho. Sandra confirmou ainda que reconheceu o perfume encontrado na casa de Rodrigo como sendo o mesmo que havia presenteado Raquel, trazido de viagem.
Questionada sobre o que espera do julgamento, Sandra Cattani declarou que espera que Deus amenize a dor, que Raquel faz falta e espera que Romero e Rodrigo sejam condenados à pena máxima.
A defesa de Romero questionou Sandra Cattani sobre o dia da prisão do réu.A testemunha relatou que Romero estava na residência, com outras pessoas presentes, quando a equipe policial chegou. Segundo ela, o delegado Edmundo Félix chamou Romero, que se levantou e acompanhou os policiais.
Sandra contou que, naquele momento, não recebeu explicações detalhadas sobre o que estava acontecendo. Ela informou ainda que os policiais retornaram à residência posteriormente para buscar alguns pertences e que, após ser conduzido a Nova Mutum, Romero foi inicialmente liberado, enquanto a investigação prosseguia, com a oitiva de diversas pessoas.
Sandra afirmou que, à época, a família sabia que a polícia havia investigado mais de cem pessoas e que, mesmo sem confirmações oficiais naquele momento, já desconfiava da responsabilidade de Romero, com a confirmação vindo posteriormente no curso das investigações.
Ao falar sobre a filha, Sandra se emocionou ao descrevê-la como uma mulher trabalhadora, simples e dedicada, criada no sítio, onde viveu e trabalhou por muitos anos. Relatou que Raquel era produtora de queijos, estava em plena ascensão profissional, cuidava sozinha da casa, dos filhos e da produção rural, realizando tarefas pesadas diariamente. A mãe destacou o vínculo afetivo de Raquel com os filhos, o amor pelos animais e a rotina intensa de trabalho.
Reafirmou que a filha sofreu violência psicológica, com episódios de humilhações e xingamentos, inclusive relacionados à perda auditiva, o que causava sofrimento constante. Sandra afirmou que Raquel tentou manter o relacionamento, mas que, diante da pressão psicológica e do desgaste emocional, decidiu definitivamente se separar, por não suportar mais.
A sessão do Tribunal do Júri foi suspensa para intervalo de uma hora para o almoço.
Júri em andamento
Dois homens e 5 mulheres foram o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri que julga, na manhã desta quinta-feira (25), Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, réus pelo assassinato de Raquel Cattani, em 2024. Os dois delegados que investigaram o crime foram os primeiros a serem ouvidos e destacaram a frieza do Romero e a ação de Rodrigo no crime premeditado pelo irmão.
Conforme as informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça (TJMT), a sessão, presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, começou 8h21 com a leitura do termo de apregoamento. Logo em seguida, foi feito o sorteio dos 7 jurados, sendo dois homens e 5 mulheres.
Fonte : GD





