o Site MT VERDADE, recebeu nessa segunda- feira o Advogado Dr. Rafael da Silva Campos e trouxe seu artigo sobre recuperação de crédito, obrigado Dr. por tirar um tempo e atender a equipe de jornalismo do MT VERDADE.
Certa vez ouvi uma fábula que sempre lembro minha filha quando ela se sente ansiosa com algo. É a história de um homem condenado e que diante da iminência de uma situação
irreversível pede ao rei um ano para tentar ensinar um burro a falar, o que é concedido pelo vaidoso Rei. Quando zombam do pedido, ele responde: “Em um ano, muita coisa pode
acontecer. O rei pode morrer, eu posso morrer, o burro pode morrer… ou, quem sabe, o burro fala”. Ela sempre ri e por alguns instantes, esquece o que a angustiava.
Na vida real, essa esperança criada na importância de ganhar tempo quando se trata de crédito e dívidas, apostar na espera raramente é uma boa estratégia. O tempo não é
neutro: ele cobra juros, multas, restrições na sociedade e transforma problemas administráveis em situações difíceis de reverter. Quem lida com recuperação de crédito
sabe que na maioria das vezes, o prejuízo final não nasce da dívida original, mas do caminho escolhido para não enfrentá-la. Custos, encargos, restrições e medidas jurídicas
acabam pesando mais do que o valor que lá atrás, ainda era negociável.
A inadimplência quase nunca começa como tragédia. Começa pequena, reversível. O ponto de virada ocorre quando deixa de ser apenas um problema financeiro e passa a se tornar
um problema jurídico em formação. A partir daí entram protestos, bloqueios, execuções, perda de patrimônio. Não por crueldade do sistema, mas porque é assim que o direito
transforma tempo em consequência.
Recuperar crédito não é um ato de imposição, é uma decisão técnica e estratégica. Para quem deve, adiar costuma significar transformar uma dificuldade em risco real de colapso
financeiro, muitas vezes com perda de patrimônio que poderia ter sido preservado. Para quem tem a receber, significa capital parado, planejamento comprometido e eficiência
perdida. Em ambos os lados, a condução faz toda a diferença. E é aí que a assessoria jurídica qualificada deixa de ser custo e passa a ser instrumento de preservação de valor
para ambos.
A Justiça é essencial, mas não faz milagres. O processo resolve conflitos, não reorganiza vidas financeiras nem devolve o tempo perdido. Ele apenas dá forma jurídica a um
problema que já estava posto.
O crédito faz parte da economia. Pessoas e empresas devem; pessoas e empresas precisam receber. O que separa um sistema saudável de um ciclo de prejuízos não é a ausência de
dívidas ou concessão de créditos, mas a forma como elas são conduzidas quando surgem. A fábula do burro é simpática porque sugere que o tempo pode resolver tudo. No mundo
real, quase nunca resolve. Quase sempre apenas muda o tamanho da conta. No fim, a diferença entre atravessar um problema ou ser engolido por ele costuma estar
menos no tamanho da dívida e mais na qualidade da orientação que conduz as decisões antes que o tempo decida sozinho.
Rafael da Silva Campos é atuante do Direito Imobiliário,
Intermediário Desportivo e do Entretenimento.







