Após anunciar a intenção de compra da Santa Casa de Misericórdia na manhã desta quarta-feira (11), o governador Mauro Mendes (União) afirmou que o Estado fará uma oferta de R$ 25 milhões, utilizando recursos 100% próprios. O governador justificou que a verba para a aquisição já é, indiretamente, direcionada à saúde por meio da judicialização de serviços que, segundo ele, passarão a ser ofertados sem que o paciente precise recorrer à Justiça. Apesar da oferta abaixo do valor cobrado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), o Estado confira que a carta de serviços mantidos pede na decisão para acolher o lance.

“Fizemos um estudo técnico sobre quais serviços seriam mantidos e quais poderiam ser transferidos. Teremos ali o home care, pois hoje esses casos estão todos judicializados. Também teremos uma central de imagem e uma central de cirurgias de baixa complexidade, onde o paciente interna em um dia e sai no outro, dando celeridade ao programa Fila Zero”, explicou o chefe do Executivo.

De acordo com o governador, a decisão inicial era abrir mão da Santa Casa e remanejar os atendimentos assim que o Hospital Central fosse inaugurado, o que ocorreu em dezembro. Contudo, a avaliação do governo mudou ao constatar que nem todas as especialidades ofertadas na unidade seriam absorvidas por outros hospitais. “É a solução que melhor vai atender, melhorar e complementar o serviço de saúde do Estado para a população de Mato Grosso”, garantiu Mendes.

 

Histórico
O governo de Mato Grosso assumiu a gestão da instituição em 2019, após uma grave crise financeira que resultou em greves e 11 meses de salários atrasados. O espaço foi reformado e passou a se chamar Hospital Estadual Santa Casa. Até hoje, restam dívidas trabalhistas a serem quitadas, e o valor obtido com a venda do prédio será destinado ao pagamento desses débitos.

Leilão

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a venda direta de todo o complexo pelo valor mínimo de R$ 54,7 milhões, equivalente a 70% da avaliação mercadológica de R$ 78,2 milhões, homologada em abril de 2025. O anúncio da venda foi feito em junho do ano passado.

 

Desde então, houve apenas duas propostas formais: uma do Instituto São Lucas, de R$ 20 milhões, e outra do Instituto Evangelístico São Marcos, de Santos (SP), no valor de R$ 40 milhões (com carência de 12 meses e parcelas mensais de R$ 500 mil). A Prefeitura de Cuiabá chegou a sinalizar um lance de R$ 30 milhões, mas a proposta não foi formalizada.

 

Como o valor de R$ 25 milhões oferecido pelo Estado está abaixo da oferta da instituição paulista e do mínimo estipulado pelo TRT, a proposta ainda depende de aceitação da Justiça.

Fonte: GD