A investigação apura crimes de estelionato e associação criminosa envolvendo fraudes na compra de grãos na região oeste do Estado.
O ex-deputado estadual por Mato Grosso do Sul e empresário Sérgio Pereira de Assis pagou fiança de R$ 5 mil e foi solto após ser flagrado com 250 munições calibre 22, durante o cumprimento de um mandado de busca em sua residência, na região central de Campo Grande (MS). A ação ocorreu na manhã da quarta-feira (4), no âmbito da Operação Agro-Fantasma, que investiga um suposto golpe milionário contra um produtor rural de Mato Grosso.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa de Mato Grosso do Sul, equipes da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras) realizavam buscas no imóvel quando localizaram as munições guardadas em uma gaveta no quarto do ex-parlamentar. No local, ele assumiu ser o proprietário do material.
Diante da situação, Sérgio foi conduzido à delegacia e autuado em flagrante por posse irregular de munições. Durante o depoimento, ele optou por permanecer em silêncio. O delegado responsável pelo caso, Roberto Oliveira Guimarães, arbitrou fiança no valor de R$ 5 mil, que foi paga ainda no mesmo dia, permitindo que o investigado responda ao processo em liberdade.
Como parte das medidas impostas, o ex-deputado deverá comparecer sempre que for convocado pela Justiça ou pela polícia e não poderá se ausentar da cidade por mais de oito dias sem autorização judicial.
Além dele, também foram alvos da operação os empresários Mário Sérgio Cometki Assis e Pedro Henrique Cardoso. A investigação apura crimes de estelionato e associação criminosa envolvendo fraudes na compra de grãos na região oeste do Estado.
Operação Agro-Fantasma
As apurações envolvem as empresas Imaculada Agronegócios e Santa Felicidade Agroindústria, apontadas como instrumentos do esquema. Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e da indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos investigados. As ordens judiciais foram executadas nas cidades de Cuiabá e Alto Taquari, em Mato Grosso, e em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
Segundo a Polícia Civil, as empresas se apresentavam ao mercado com aparência de solidez e credibilidade, mas operavam um esquema estruturado de fraudes na aquisição de grãos, causando prejuízos expressivos a produtores rurais.
De acordo com as investigações, os responsáveis convenciam as vítimas a utilizar o nome de suas propriedades para realizar compras de grãos a prazo. Os produtos eram revendidos à vista para indústrias, enquanto o grupo assumia a promessa de quitar os débitos posteriormente.
Nos primeiros meses, os pagamentos foram feitos de forma regular, o que reforçou a confiança das vítimas. No entanto, após consolidar as negociações e ampliar o volume das compras, os investigados deixaram de honrar os compromissos, transferindo o prejuízo aos produtores.
Em um dos casos apurados, a inadimplência ultrapassa R$ 58 milhões.
O grupo também é suspeito de fraude fiscal e de recebimento de créditos indevidos. Entre os bens alvo de sequestro está uma aeronave avaliada em mais de R$ 5,8 milhões.
Conforme a Polícia Civil, os investigados mantinham um padrão de vida elevado, com residência em condomínio de alto padrão e uso de veículos importados de alto valor de mercado, como Porsche e Dodge Ram, que também são alvos de sequestro na operação.
Fonte : RP









