ESCÂNDALO EM CUIABÁ: Relatos de pessoas do círculo íntimo do ex-casal revelam bastidores de uma batalha judicial mantida sob sigilo. Fontes denunciam agressões físicas, cárcere privado e omissão de socorro que teriam levado vítima à falência renal.


POR: REDAÇÃO INVESTIGATIVA MT VERDADE – Cuiabá, Mato Grosso

Por trás dos muros altos dos condomínios de luxo e das gravatas alinhadas das federações industriais, um drama de contornos cruéis se desenrola nos bastidores da sociedade cuiabana. O protagonista é uma figura pública influente: Fernando Hidekazu Alves Kuzai, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de MT (Sindimec) e figura carimbada nos corredores da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (FIEMT).

Esta reportagem não teve acesso aos autos processuais, que tramitam sob rigoroso segredo de justiça na 2ª Vara Especializada em Violência Doméstica da Comarca de Cuiabá. No entanto, a Redação Investigativa ouviu testemunhas e pessoas do convívio íntimo do ex-casal, que decidiram quebrar o silêncio. Os relatos apontam que o empresário, irmão do ex-vereador Haroldo Kuzai, é alvo de graves acusações.

Desta vez, a denúncia trazida pelas fontes choca pela desumanidade: a vítima, sua ex-companheira F.C.L.T., luta pela vida em estágio terminal de falência renal — uma condição que, segundo as pessoas próximas ouvidas pela reportagem, teria sido agravada por uma rotina de terror, controle excessivo e impedimento de acesso a cuidados médicos preventivos.


O “Modus Operandi” da Violência: Relatos de Testemunhas

As pessoas ouvidas pela reportagem asseveraram que foram ouvidas testemunhas e vizinhos que conviveram com o antigo casal, e relatam à reportagem que o ambiente doméstico não era de meras desavenças, mas de violência sistemática. Segundo essas fontes, as agressões físicas ocorriam, em média, de duas a três vezes por semana.

A brutalidade física era acompanhada, segundo a apuração junto a pessoas ligadas à vítima, de uma asfixia financeira e psicológica. Relata-se que a vítima vivia sob tal controle que teria sido impedida de realizar tratamentos de saúde necessários. O resultado descrito pelas fontes é irreversível: hoje, F.C.L.T. depende de hemodiálise para sobreviver e aguarda, desesperada, na fila de transplantes.


Despejo no Leito de Morte

Mesmo diante da fragilidade extrema da ex-companheira, o poderio econômico do empresário — dono de vasto patrimônio imobiliário na capital — teria se feito valer de forma implacável. Pessoas próximas à família confirmaram à redação que, em meio ao litígio, Fernando Kuzai conseguiu retomar o imóvel, resultando na expulsão da ex-mulher e de seu filho, uma criança de apenas 12 anos, do apartamento onde viviam.

A cena descrita pelas fontes é dantesca: uma mulher doente, em estado clínico gravíssimo, sendo obrigada a deixar o lar com uma criança, enquanto o empresário segue sua rotina de liderança industrial.


Histórico: Reincidência e Arma de Fogo

A apuração jornalística junto às fontes revelou que F.C.L.T. não seria a primeira vítima. Pessoas conhecedoras do histórico do empresário apontam que Fernando Kuzai já respondeu a outro processo envolvendo uma ex-companheira anterior, J.S.G.

Naquela ocasião, segundo informações obtidas, a gravidade também foi explícita: houve acusações de diversas violências, inclusive com menção ao uso de arma de fogo. O caso, ocorrido por volta de 2007, teria sido encerrado através de um acordo judicial em audiência, garantindo o silêncio sobre os fatos. Agora, fontes temem que o padrão se repita, mas com uma vítima atual que talvez não tenha tempo de vida para ver o desfecho do caso.


A Blindagem do Sigilo

Enquanto a saúde da vítima se deteriora, a estratégia jurídica parece ser a da invisibilidade. O fato de os processos tramitarem em segredo de justiça impede o acesso público aos detalhes, mas não cala a indignação daqueles que presenciam o sofrimento da vítima. O instrumento legal, neste cenário, acaba blindando a reputação de um homem público do escrutínio da sociedade.

O Outro Lado Procurada pela nossa equipe, a Advogada da vítima preferiu não se manifestar, citando o respeito ao sigilo processual e o estado de saúde delicadíssimo de sua cliente. A redação também tentou contato insistentemente com a defesa de Fernando Kuzai para obter sua versão sobre os relatos apresentados, mas, até o fechamento desta edição, não obtivemos retorno. O espaço segue aberto.