Advogado é preso em operação contra grupo que usava nomes de juízes para aplicar golpes em Cuiabá.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) deflagrou, nessa quarta-feira (21), uma operação com o objetivo de investigar um grupo acusado de usar nomes de juízes para aplicar golpes, em Cuiabá. Entre os alvos presos estão um advogado identificado como Rafael Valente.
Ao todo, o Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) cumpriu 10 ordens judiciais, sendo seis mandados de busca e apreensão e quatro de prisão. Um dos alvos não foi localizado e é considerado foragido. Durante as diligências, na casa de um dos suspeitos foram encontrados R$ 350 mil em espécie.
Conforme apurado, a operação é um desdobramento de uma tentativa de golpe descoberta em agosto do ano passado, envolvendo o nome do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira.
Na ocasião, o sargento Eduardo Soares de Moraes tentou se passar pelo presidente do TJ e contratou um motorista de aplicativo para entregar um envelope com R$ 10 mil a um advogado na sede do tribunal.
Eduardo Moraes foi preso em 12 de agosto de 2025 por falsidade ideológica e associação criminosa. A entrega do dinheiro foi impedida pela segurança do TJ, que desconfiou da situação, e o sargento acabou identificado por meio das câmeras do Fórum de Cuiabá. O valor teria sido enviado, segundo a investigação, a pedido do sargento Jackson Pereira Barbosa, apontado como intermediário na morte do advogado Renato Nery, ocorrida em julho de 2024, em Cuiabá.
A reportagem entrou em contato com a assessoria da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT), que informou que o Tribunal de Defesa das Prerrogativas da OAB-MT acompanhou a prisão do advogado para garantir o respeito às prerrogativas profissionais.
Relembre o caso
Eduardo Soares de Moraes estava no Fórum de Cuiabá e usou o nome e a foto do desembargador José Zuquim para contratar um motorista de aplicativo que deveria entregar uma encomenda no Tribunal de Justiça, que fica em outro endereço.
Quando chegou no estacionamento do Fórum, o motorista de aplicativo mandou mensagem ao celular que usava a foto e o nome de José Zuquim perguntando com quem deveria falar e foi orientado a falar com Eduardo, que estava em um Corolla prata com o farol ligado. O motorista então pegou o envelope e foi ao TJ, onde alguém receberia a encomenda. No entanto, ninguém apareceu.
O motorista desconfiou da ausência de informações sobre o destinatário da encomenda e acionou a segurança do TJ. Foi então que constataram que se tratava de dinheiro em espécie, com notas de R$200, R$100 e R$50.
O motorista relatou à segurança que o envelope teria sido enviado por Zuquim. O presidente então foi informado sobre o fato e negou ter mandado entregar qualquer dinheiro.
O desembargador disse ter ficado estarrecido com a situação. Eduardo Soares foi identificado através das câmeras de segurança do Fórum. Ele conduzia um Corolla prata e estava com uma mulher como passageira.
Após ser identificado, o sargento Eduardo Soares foi preso em flagrante.
Fonte : RP





