Após um período de estabilidade nos atritos políticos, a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), novamente entrou em embates com o seu vice-prefeito Tião da Zaeli (PL), ao afirmar que não possui controle do Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG) e sequer pode fazer contratações, nomeações ou ter ciência das contas da autarquia. Flávia ainda ressalta que, mesmo sem ter autonomia sobre o DAE, é diariamente cobrada pela população, sofrendo desgastes, situação que pretende mudar este ano.
“O Tião ajuda nos trabalhos da Educação e no DAE, ele tem essas duas secretarias na mão dele. Não, nenhum [controle]. Quem manda lá é Tião da Zaeli. Eu só fiquei com o processo da concessão privada, da FIP, que vai ser entregue o prognóstico. Eu prometi a concessão e isso eu cuido pessoalmente, mas levo todo o desgaste do DAE. Só que em 2026 será outra Flávia, outra prefeita. Se hoje a culpa do DAE é jogada em cima de mim, então me entrega a chave do DAE”, desabafou Flávia durante entrevista a programa de rádio recentemente.
Segundo Flávia, além de não ter autonomia sobre a questão da água no município, tem recebido diariamente cobranças de moradores quando anda nas ruas e também em suas redes sociais e até WhatsApp pessoal, o que relata responder sem problemas e preconiza tal aproximação dos varzea-grandenses. No entanto, revela desgastes a sua imagem devido a relatos de falta de água há meses e demora em atendimento a população, chegando a pedir que, ao invés de marcar a prefeita, que marquem Tião da Zaeli em postagens nas redes sociais.
Moretti ainda menciona que, no começo de 2025, pediu levantamento completo do que precisava ser comprado ou reformado no DAE, contudo, as dívidas da autarquia complicam a regularização financeira, além de não ter autonomia em contratações e nomeações.
Além da relação conflituosa com Zaeli, Flávia também desabafou sobre embates com o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Serqueira (MDB), seu opositor no Legislativo varzea-grandense, e até mágoas que carrega no Partido Liberal, o qual é filiada.
Flávia reclama que Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) enviados à Câmara não são aprovados, porém, reformas relacionadas ao gabinete do vice-prefeito passam pelo Legislativo sem problemas aparentes.
“Várias leis que foram para a Câmara não foram aprovadas em 2025. Não é tudo flores. Meu problema não são os vereadores, meu problema é o seguinte, se o presidente pauta, o vereador vota. Pauta e vamos ver. Nem Jesus agradou a todos na face da terra e até hoje não agrada porque tem ateus. Mas eu tenho que ser franca, eu tenho uma posição, o presidente da Câmara é minha oposição”, assinalou.
Questionada sobre a Comissão Processante a qual responde, Flávia negou temer sua cassação de mandato, porém, atribuiu a responsabilidade da logo da gestão ter sido confeccionada nos uniformes escolares inteiramente ao ex-secretário de Educação, Cleiton Marino Santana, a quem atribui a indicação ao presidente da Câmara.
“O secretário de educação era indicado por ele, o secretário que fez o que fez, eu não tive a ver com nada, não assinei nada, mas isso minha defesa vai mostrar”, pontuou.
Além da resistência com o Legislativo, embora afirme estar confortável no Partido Liberal, Flávia, porém, espera uma posição mais enérgica do presidente estadual da sigla, Ananias Filho, sobre a permanência do seu ex-líder na Câmara, o vereador Samir Japonês, a quem pede a expulsão por tê-la chamado de mentirosa na tribuna do parlamento.
“Nós temos que ser gratos aos que nos abraçaram, apoiaram para chegar onde eu cheguei. Eu tenho tantos convites diferentes, mas partido hoje eu não discuto, não tenho intenção de sair. Mas eu me incomodo sim porque não tive resultado do pedido de expulsão do Samir que me afrontou na Câmara Municipal, eu não tive resultado perante o Ananias. Ele diz que está analisando, com advogados, mas isso me incomoda. Essa ferida eu ainda estou esperando ser curada, não é vingança, é justiça”, cita.
Fonte : GD







