Entre as denúncias aceitas estão a utilização de caminhonete oficial, motorista, drone e equipamentos de mídia da prefeitura para fins particulares.

A Câmara Municipal de São José do Rio Claro (a 297 km de Cuiabá) decidiu, por unanimidade, nesta quinta-feira (5), abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pode resultar na cassação do mandato do prefeito Levi Ribeiro (PL).

Entre as denúncias aceitas estão a utilização de caminhonete oficial, motorista, drone e equipamentos de mídia da prefeitura para fins particulares; desvio de materiais públicos; retaliação a servidores; contratação reiterada de uma mesma empresa; além de gastos considerados excessivos e suspeitos com shows e eventos.

 

Segundo o levantamento apresentado, apenas no ano de 2025 teriam sido gastos mais de R$ 1,9 milhão com tendas, estruturas de som e palcos, com valores médios superiores a R$ 50 mil por evento, sem incluir cachês artísticos. A denúncia aponta indícios de superfaturamento e questiona a razoabilidade dessas despesas diante das demandas prioritárias do município, especialmente na área da saúde.

 

Outro ponto levantado é a contratação reiterada de uma empresa do ramo de eventos, o que, segundo a denúncia, pode caracterizar favorecimento indevido e ausência de análise de economicidade. Também é citada a autorização de uma despesa considerada manifestamente indevida no valor de R$ 41.916, referente a aditivo contratual em obra pública, custo que deveria ter sido arcado pela própria empresa contratada. Embora tenha havido ressarcimento posterior aos cofres públicos, a denúncia sustenta que a infração político-administrativa já estaria configurada.

O documento também aponta suposta perseguição política a servidores municipais. Decisões judiciais são citadas para sustentar que remoções, punições administrativas e redução de vantagens remuneratórias teriam ocorrido sem motivação de interesse público, com desvio de finalidade e caráter punitivo. Há ainda acusação de retaliação ao procurador do município, que teria sofrido represálias após comunicar irregularidades a órgãos de controle.

 

Entre as acusações mais graves está o suposto desvio de materiais públicos. A denúncia relata que madeiras retiradas da cobertura do Hospital Municipal teriam sido destinadas à construção de unidades habitacionais em projeto específico, em desacordo com a finalidade original do material. Também são mencionados indícios de uso indevido de veículos oficiais, servidores e equipamentos públicos para fins particulares, incluindo deslocamentos para propriedade rural do prefeito e a utilização de drone e equipamentos de mídia da prefeitura.

Conforme o presidente da Câmara, vereador Pelezinho (União Brasil), os oito vereadores votaram a favor da abertura da CPI, incluindo os quatro parlamentares da base do prefeito.

A comissão será formada pelos vereadores Maria Aparecida Santiago (Novo), Ronney Fernandes (PSD) e Constantino de Almeida (PL), que é líder do prefeito na Câmara.

Fonte: RP