Uma paciente chegou a retirar pedaço de luva de dentro do dente.

O que deveria ser a busca pelo “sorriso perfeito” tornou-se um trauma físico e financeiro para diversos pacientes em Mato Grosso. O dentista Pedro Gonçalves de Souza Júnior, proprietário da clínica Rizzit em Cuiabá, está no centro de uma série de batalhas judiciais, além da recente polêmica que vem protagonizando. Levantamento feito aponta que o profissional acumula mais de R$ 255 mil em pedidos de indenização por danos morais, materiais e estéticos.

Pedro, que se autointitula “coach” e exibe um estilo de vida de alto padrão nas redes sociais, foi recentemente suspenso pelo Conselho Regional de Odontologia (CRO-MT). A punição veio após ele ofender nutricionistas e educadores físicos, chamando-os de “gordos” para promover seu próprio programa de emagrecimento, o “Doclife”, mesmo sem ter habilitação para atuar na área de nutrição.

Luva esquecida

Entre as denúncias, o caso do paciente C.H. choca pela gravidade. Após pagar R$ 6,5 mil por lentes de resina que quebravam constantemente, até mesmo comendo sopa, o paciente começou a sofrer com dores e inflamações insuportáveis.

A surpresa veio meses depois, durante a escovação: C.H. percebeu um objeto estranho e retirou de dentro do próprio dente um pedaço de luva cirúrgica que havia sido selado junto com a resina. O Juizado Especial Cível de Cuiabá já condenou o dentista a pagar R$ 14,5 mil por este erro, classificando o serviço como “falha total”.

Raízes fraturadas e perda óssea

A profundidade dos danos relatados por outras vítimas revela um padrão de suposta negligência.

A A idosa J.F.F. investiu R$ 39,3 mil em coroas de porcelana. No processo, ela relata que profissionais da clínica usaram instrumentos de forma bruta, resultando na fratura das raízes de dois dentes, que precisaram ser extraídos. Ela também ficou meses com “provisórios” que causaram problemas gastrointestinais e depressão. O pedido de indenização chega a R$ 137,8 mil.

A servidora pública J.T., por sua vez, viu sua gengiva entrar em processo de sangramento constante 15 dias após o procedimento. Um laudo técnico indicou inflamação severa e perda óssea, após restos de alimentos entrarem em frestas deixadas pelas lentes mal colocadas. Ela busca R$ 45,5 mil na Justiça.

Frustração em Rondonópolis

Já a paciente R.P., de Rondonópolis (a 215 km de Cuiabá), em Mato Grosso, pagou R$ 16 mil acreditando que teria o sorriso de uma modelo famosa usada no marketing de Pedro. Além de ter sido atendida por outro profissional e não pelo “famoso” dentista, ela ficou com excesso de material na boca que “espetava” a língua e a bochecha. O prejuízo pedido é de R$ 52,7 mil.

Suspensão

Pedro foi suspenso de exercer a profissão de dentista por cerca de 30 dias pelo Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO-MT). O órgão também anunciou, no domingo (1º), que vai abrir um processo ético-disciplinar para apurar as denúncias feitas contra o profissional, que apontam que ele tem desmerecido outras profissões da área da saúde, principalmente nutricionistas e educadores físicos.

Fonte: RP