Paciente saiu de Vilhena (RO) para colocar silicone com o médico Marcos Harter em Sorriso, mas precisou fazer a retirada do implante por complicações.

O cirurgião plástico de Sorriso (a 398 km de Cuiabá), em Mato Grosso, e ex-participante do programa Big Brother Brasil (BBB), Marcos Harter, foi denunciado por uma de suas pacientes, de 29 anos, que afirmou ter desenvolvido uma infecção após uma cirurgia de implante de silicone.

Segundo o boletim de ocorrência, a paciente saiu de Vilhena (RO) para Sorriso para realizar o procedimento cirúrgico, no dia 21 de janeiro deste ano, às 9h. Ela conheceu o médico pouco antes da cirurgia, na antessala do centro cirúrgico, pois antes havia sido atendida apenas por outras pessoas da equipe de Marcos Harter.

Segundo a vítima, após a cirurgia, ela foi encaminhada para uma casa exclusiva para pacientes da clínica, pela qual pagou estadia. Ao chegar ao local, relata ter encontrado um ambiente insalubre.

Posteriormente, desenvolveu uma infecção decorrente da cirurgia e precisou fazer a retirada das próteses de silicone com urgência.

Para realizar o procedimento, a vítima contratou outro médico e arcou com todos os custos.

O marido dela procurou Marcos Harter para pedir a devolução dos valores gastos com a primeira cirurgia, mas a equipe do médico teria exigido a assinatura de um contrato como condição para a restituição do dinheiro.

Conforme a vítima, ela foi coagida a assinar o documento, que previa, em suas cláusulas, que a clínica estava isenta de qualquer responsabilidade.

Diante dos fatos, a paciente registrou boletim de ocorrência nessa quarta-feira (11).

A Polícia Civil investiga o caso.

Outras denúncias

Não é a primeira vez que Marcos Harter é denunciado por situações semelhantes.

Em outro caso, uma paciente que havia agendado uma cirurgia de abdominoplastia com o profissional saiu de Goiânia e foi até Rondonópolis, onde o procedimento foi marcado.

A vítima disse que não teve contato com o médico e, apenas após acordar da cirurgia, foi informada por uma funcionária do hospital de que Marcos Harter não havia realizado o procedimento, pois estava viajando. A paciente alega que foi operada por um profissional desconhecido.

Em outra denúncia, Marcos Harter foi acusado de realizar uma cirurgia de implante de silicone cujos resultados teriam ficado assimétricos e desproporcionais.

Outra paciente, que havia agendado apenas uma cirurgia de implante de silicone, chamada “Projeto Silicone”, divulgada pelo médico nas redes sociais, afirmou ter tido contato com ele apenas minutos antes do procedimento.

Durante uma breve conversa, Marcos Harter teria notado que a paciente possuía uma cicatriz e uma pinta na barriga e comentou que poderiam ser esteticamente melhoradas.

Ao acordar da cirurgia, a vítima sentiu fortes dores abdominais e percebeu que o médico, sem autorização, havia alterado a cicatriz e retirado a pinta, sem aviso ou consentimento, segundo relato.

A vítima alega que a intervenção não autorizada deixou uma cicatriz pior que a anterior e causou incômodos e limitações.

Outras denúncias envolvendo o médico foram amplamente divulgadas pela imprensa.

Em 2020, o Conselho Regional de Medicina (CRM) proibiu o médico de exercer a profissão pelo período de seis meses por interdição cautelar, pois ele foi alvo de uma série de processos éticos, inclusive em outros estados.

O CRM amparou a decisão em “prova inequívoca de procedimento danoso realizado pelo médico, com fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação” e porque Marcos Harter divulgou promoção de silicone por R$6.950 em Santa Catarina, onde não possui registro pra atuar.

Fonte : RP