Gisa Barros disse que continuará cobrando providências diante das denúncias.
A vereadora de Várzea Grande Gisa Barros (PSB) fez duras críticas ao atendimento no Pronto-Socorro Municipal (PSVG) durante sessão ordinária da Câmara nesta terça-feira (17.03) e cobrou providências da Comissão de Saúde do Legislativo. A parlamentar relatou o caso de uma paciente com problemas cardíacos e pulmonares que, segundo ela, procurou atendimento diversas vezes sem receber assistência adequada.
Ao utilizar a tribuna, Gisa direcionou o apelo aos integrantes da Comissão de Saúde da Câmara, composta pelo presidente Dr. Miguel Júnior (Cidadania), pelo vice Enfermeiro Emerson (PP) e pelo membro Alessandro Moreira (MDB), pedindo uma visita urgente à unidade.
“Venho mais uma vez fazer uso da tribuna, mas desta vez para cobrar a Comissão de Saúde. Eu estava tentando ajudar a resolver uma situação gravíssima no Pronto-Socorro. Inclusive, orientei a família a registrar um boletim de ocorrência”, declarou.
Segundo a vereadora, a paciente vem enfrentando dificuldades para receber atendimento há cerca de uma semana. Ela relatou que a família chegou a procurar o hospital várias vezes, sem solução para o caso. “Há uma semana, uma senhora com problemas pulmonares e cardíacos está indo ao Pronto-Socorro. Foi destratada por um médico. Ontem, ela foi três vezes ao hospital e hoje voltou novamente. O médico manda ir para casa e não faz nada. É no mínimo indignante para a família”, afirmou.
De acordo com Gisa, diante da falta de atendimento considerado adequado, os familiares decidiram buscar assistência médica em Cuiabá. A parlamentar afirmou que, mesmo sem formação na área da saúde, a gravidade do caso chama atenção. “Eu não sou médica, não tenho formação na área. Mas uma pessoa que precisa ser levada carregada até o hospital e não recebe atendimento digno é algo que não podemos aceitar”, disse.
A vereadora também relatou ter presenciado situações de superlotação no PS e afirmou que, em uma das visitas recentes à unidade, havia dezenas de crianças aguardando atendimento. “Ontem eu estava no Pronto-Socorro às 20 horas da noite com mais de 50 crianças sem serem atendidas. Dizem que é surto viral, mas são situações inacreditáveis”, declarou.
Segundo ela, o cenário exige atuação mais firme do Legislativo na fiscalização da saúde pública. “Vereador vai ter que começar a bater ponto dentro das unidades de saúde de emergência e urgência, porque não é possível”, afirmou.
Durante o debate, o vereador Braz Jaciro (PSDB) confirmou que também recebeu pedido de ajuda relacionado ao mesmo caso citado por Gisa. “Confirmo tudo que a senhora está falando. Essa pessoa também me procurou. Desde as sete horas da manhã estou acompanhando e ela já tinha ido três ou quatro vezes ao hospital sem solução”, disse.
Gisa afirmou que a situação demonstra o nível de desespero das famílias que buscam atendimento na rede municipal. “Vocês estão vendo que a pessoa está pedindo socorro para vários vereadores. Não tem necessidade de acontecer isso. Tem que ter atendimento”, reforçou.
A parlamentar também relatou dificuldades enfrentadas por vereadores durante ações de fiscalização dentro de unidades de saúde. Segundo ela, já houve casos de parlamentares impedidos de entrar em unidades. “Já teve vereador que foi proibido de entrar em unidade de saúde. Isso está judicializado, inclusive”, afirmou.
Ao comentar o episódio, o vereador Alessandro Moreira (MDB), que integra a Comissão de Saúde, afirmou que o colegiado deve se reunir para avaliar o caso e adotar providências. “Enquanto membro da Comissão de Saúde, juntamente com os vereadores Miguel e Emerson, vamos nos reunir e deliberar sobre as providências que serão tomadas”, disse.
A vereadora também afirmou que já encaminhou denúncias sobre problemas na saúde pública a diferentes órgãos de controle, como Ministério Público (MPMT), Tribunal de Contas (TCE) e até ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
“Eu já mandei denúncia para o Ministério Público, Tribunal de Contas e até para o Gaeco. Nada andou. Por isso estou trazendo aqui para a tribuna”, declarou.
Durante o debate, o vereador Wender Madureira (Republicanos) também comentou a situação da rede municipal de saúde e apontou falta de profissionais nas unidades básicas, o que estaria aumentando a demanda nas unidades de urgência. “Os postos de saúde estão com falta de médicos. Com isso, as pessoas vão para as UPAs do Cristo Rei e do Ipase e tudo fica superlotado”, afirmou.
Ao encerrar a fala, Gisa Barros afirmou que continuará cobrando providências e fiscalização para melhorar o atendimento à população. “Eu fui eleita pelo povo e é por eles que eu tenho que brigar. Quem sofre não somos nós, vereadores, é a população”, concluiu.









