Manoel Batista da Silva é acusado de estuprar detenta quatro vezes dentro da unidade.

O investigador da Polícia Civil de Sorriso (a 398 km de Cuiabá), em Mato Grosso, Manoel Batista da Silva, de 52 anos, preso por estuprar quatro vezes uma mulher dentro da delegacia, fez ameaças de morte contra a vítima e a filha dela, de apenas 8 anos, para tentar impedi-la de denunciar o crime. O caso foi detalhado pelo advogado Walter Rapuano, que faz a defesa da vítima.

Situação completamente chocante, aterrorizante, aberrante e que traz asco”, afirmou o advogado ao descrever o caso.

Segundo Rapuano, os abusos ocorreram entre os dias 9 e 10 de dezembro, enquanto o policial estava de plantão. A vítima estava presa temporariamente e, após passar por audiência de custódia e exame de corpo de delito, foi levada de volta para a delegacia pelo investigador. O terror teria começado por volta das 18h.

 

Só que, quando chegou na delegacia, por volta das 18h, no lugar de levá-la de volta para a cela, a levou para uma sala, trancou a porta, a ameaçou de morte, ameaçou a filha de morte. Se ela fizesse alguma coisa, ele disse que mataria ela e a filha. Ela tem uma filha de mais ou menos 8 anos de idade”, revelou o advogado, em entrevista ao programa SBT Comunidade.

Conforme a denúncia, a vítima foi estuprada quatro vezes em um intervalo de poucas horas. Após o primeiro abuso, ela foi colocada de volta na cela, mas retirada novamente durante a madrugada e ao amanhecer do dia 10.

De madrugada, perto do amanhecer, ele a retirou mais uma vez da cela e praticou o quarto abuso sexual. Isso tudo dentro da Delegacia de Sorriso, durante o plantão, horário em que ficam poucos policiais civis”, detalhou Rapuano.

Avanço na investigação

A investigação sobre o caso avançou nesta quinta-feira (5) com a quebra do sigilo telefônico e de dados do investigador, acolhida pela Justiça após pedido da Polícia Civil. A delegada Laysa Crisóstomo de Paula Leal confirmou a apreensão do celular de Manoel. A perícia vai analisar se o policial utilizou o aparelho para registrar ou compartilhar imagens dos abusos.

Manoel Batista, que atua na Polícia Civil desde 2001 e recebe um salário de R$ 22 mil, teve a prisão preventiva mantida. Agora, a polícia também trabalha para identificar se existem outras mulheres que foram alvo do investigador ao longo de suas duas décadas na instituição. Segundo a delegada, a equipe está em diligências para apurar se outras possíveis vítimas ainda não formalizaram denúncias.

Em nota, a PJC-MT reafirmou que não tolera desvios de conduta e que “cortará o mal pela raiz”, garantindo que não haverá corporativismo na condução do processo. O Ministério Público, por sua vez, descreveu o crime como de “gravidade excepcional”, ressaltando que o policial transformou uma repartição pública em cenário de violência sexual.

Fonte: RP