Justiça autoriza análise de dados de Manoel Batista da Silva após exames de DNA confirmarem crime.

A investigação sobre o estupro de uma detenta dentro da Delegacia de Sorriso (398 km de Cuiabá), em Mato Grosso, avançou com a quebra do sigilo telefônico e de dados do investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, acusado do crime. O pedido foi feito pela Polícia Civil e acolhido pela Justiça.

A delegada Laysa Crisóstomo de Paula Leal confirmou hoje (5) a apreensão do aparelho celular e a análise das informações digitais. Os dados podem indicar se o policial utilizava dispositivos eletrônicos para registrar ou compartilhar os abusos.

O crime, que teria ocorrido em dezembro, veio à tona após a vítima denunciar ter sido violentada quatro vezes em uma única noite, enquanto estava sob custódia do Estado.

 

Exames periciais da Politec confirmaram a compatibilidade do DNA do investigador com o material biológico coletado da vítima. Manoel, que atua na Polícia Judiciária Civil (PJC) desde 2001 e recebia um salário de R$ 22 mil, teve a prisão preventiva mantida após audiência de custódia realizada no último domingo (1º).

 

Busca por novas vítimas

A Polícia Civil também trabalha para identificar se existem outras mulheres que foram alvo do investigador ao longo de suas duas décadas na instituição.

Segundo a delegada Laysa, outras possíveis vítimas ainda não formalizaram denúncias, e a equipe de investigação está em diligências.

O Ministério Público descreveu o caso como de “gravidade excepcional”, ressaltando que o policial transformou uma repartição pública em cenário de violência sexual.

Em nota, a PJC-MT reafirmou que não tolera desvios de conduta e que “cortará o mal pela raiz”, garantindo que não haverá corporativismo na condução do processo.

 

Entenda o caso

A vítima, uma mulher de 32 anos, denunciou ter sido estuprada quatro vezes entre a noite de 9 de dezembro e a manhã do dia seguinte, dentro da Delegacia de Sorriso (MT).

Segundo a defesa, o investigador Manoel Batista da Silva a retirava da cela e a levava para uma sala vazia, onde cometia os abusos sob ameaça de matar a filha da detenta.

Na ocasião, a mulher estava presa temporariamente por suspeita de envolvimento em um homicídio. Ela foi solta dois dias após o crime de estupro, depois que a própria polícia identificou que não havia provas de sua participação no assassinato.

Atualmente, ela responde em liberdade, embora exista um novo mandado em aberto contra ela por suspeita de ligação com facções criminosas.

Após ser solta, a mulher denunciou o abuso ao Ministério Público. Exames de DNA foram feitos em todos os policiais que estavam de plantão. O laudo pericial confirmou compatibilidade genética entre o material colhido na vítima e o do investigador Manoel Batista.

Agora, a perícia analisa os dados de seu celular para verificar se há registros de outros crimes ou novas vítimas.

Fonte : RP