Entre a cobrança e o resultado.
Quem trabalha com gestão sabe que existe uma diferença grande entre tomar uma decisão e ver o resultado dela aparecer. Entre uma coisa e outra existe um intervalo que exige método e paciência, algo cada vez mais raro em ambientes pressionados por respostas rápidas.
Nos últimos dias, a saída de Filipe Luís do comando do Clube de Regatas do Flamengo reacendeu um debate comum no futebol: quem errou e por que a mudança aconteceu. Mas talvez a pergunta mais importante seja outra: Quanto tempo damos para que um processo mostre resultado antes de concluir que ele falhou?

No futebol, noventa minutos conseguem transformar semanas de trabalho em confiança ou desconfiança. O problema começa quando essa lógica passa a orientar tudo ao redor.
Na gestão das organizações acontece algo parecido. Muitas decisões são tomadas sob pressão — da torcida, do mercado ou do próprio cliente — e é justamente nesse ambiente que aparece um risco silencioso: a síndrome do protagonista, quando o gestor sente que precisa fazer algo imediato para demonstrar controle da situação.
Às vezes o caminho é sustentar o processo. Foi o que fez Leila Pereira ao manter Abel Ferreira em momentos de pressão, protegendo o trabalho e a equipe porque tinha um processo bem definido de governança e acreditava no método. Em outros casos, a decisão segue outro caminho, como ocorreu no Flamengo.

Essa dinâmica não acontece apenas no futebol. Na gestão da inadimplência — área em que atuo — a pressão por resposta rápida também é constante. O desafio da gestão está justamente em equilibrar essa urgência com a necessidade de construir soluções qualificadas, capazes de resolver o problema de forma consistente e não apenas tapar um buraco momentâneo. É nesse intervalo que surgem os maiores equívocos, porque a ansiedade costuma substituir o processo.
Quando se trata de inadimplência e recuperação de crédito, experiência e método fazem diferença. É nessa seara que uma assessoria especializada consegue enxergar aquilo que a pressão do dia a dia não permite perceber, organizando o processo para que o resultado apareça de forma consistente.
No fim, seja no futebol ou nos negócios, noventa minutos podem mudar um placar. Mas alguns meses ainda são necessários para que um processo mostre seu valor.
Rafael da Silva Campos é atuante do Direito Imobiliário, Intermediário Desportivo e do Entretenimento.









