Rebeca Dourado, do Ceará, não conseguiu chegar ao hospital a tempo e deu à luz sua quarta filha, Teresa, dentro do carro enquanto estava a caminho da maternidade. “Eu, mais do que ninguém, por ser obstetra, sabia parir”, diz à CRESCER.
O parto sempre é um momento muito esperado pelos pais – e cheio de expectativas. Mas, nem sempre sai como o planejado. A ginecologista e obstetra Rebeca Dourado, 38, estava em trabalho de parto, a caminho do hospital, em Fortaleza, Ceará, mas a bebê não quis saber de esperar. Ela, então, deu à luz sem a ajuda de ninguém enquanto o marido dirigia.
Apesar do susto, ela conseguiu manter a calma e deu à luz a pequena Teresa. “Me concentrei em uma questão específica: eu, mais do que ninguém, por ser obstetra, sabia parir”, diz, em entrevista exclusiva à CRESCER.
Rebeca descobriu a gravidez em janeiro de 2025. “Foi pura felicidade. Sonhávamos com um quarto filho, ou melhor, quarta filha. Falo isso porque sentíamos que teríamos uma nova menina. Nossa filha já nos havia sido anunciada por Deus antes mesmo de ser concebida”, lembra.
A gestação foi cheia de desafios, não só pelo enjoo e indisposição, mas porque seu marido, o dentista Denis Bezerra de Araújo, 43, havia sofrido um AVC quando ela estava com 18 semanas. “Foi um tempo de muita provação, mas nossos laços se fortaleceram imensamente nesse período”, diz.
Depois disso, todas as preocupações ficaram de lado. “Só passamos a pedir a Deus pelo nascimento de uma filha saudável”, afirma.
‘Eu, mais do que ninguém, por ser obstetra, sabia parir’
Rebeca estava almoçando, em 2 de outubro, quando começou a sentir as contrações. Pouco depois, percebeu que precisaria ir para o hospital – o bebê estava a caminho. Quando entrou no carro, as contrações estavam cada vez mais próximas e percebeu que sua bolsa havia rompido.
“Eu sabia que iria parir ali dentro do carro. Mas, me concentrei em uma questão específica: eu, mais do que ninguém, por ser obstetra, sabia parir”, destaca. Ela não disse nada para o marido. “Deixei ele fazer o que já estava fazendo: nos levar ao hospital em segurança”, afirma.
“Na hora que veio a contração do período expulsivo, bastou uma força e a cabeça saiu seguida do corpo. Quando percebi, estava com minha filha saudável e linda nos meus braços. Na hora em que ela nasceu, precisávamos de um pano para enrolá-la e só consegui pegar um pano de prato que estava enrolado na compressa nas minhas costas”, lembra.
No total, o parto durou por volta de 50 minutos, desde a hora em que as contrações começaram a ficar ritmadas até o momento em que Teresa nasceu. Segundo ela, apesar do local inusitado, foi uma experiência tranquila. “O parto foi sereno! Por incrível que pareça. Foi tudo muito rápido”, afirma.
‘Meu marido tomou um susto quando me viu com a bebê nos braços’
Denis só entendeu o que estava acontecendo quando a filha já havia nascido. “Meu marido tomou um susto quando me viu com a bebê nos braços. Ele acreditava, até o último minuto, que daria tempo de chegar ao hospital. Mas não foi assim que a Teresa quis e ficamos felizes. Foi um parto maravilhoso. Tranquilo, abençoado, uma explosão de felicidade que, até hoje, não cabe em mim”, destaca.
Quando chegaram ao hospital, os médicos ajudaram na expulsão da placenta, cortaram o cordão umbilical e realizaram os exames na bebê. Felizmente, as duas estavam bem e saudáveis. “Permanecemos melhores do que nunca, cinco meses depois. Nossa quarta filha trouxe ainda mais alegria e sentido para a nossa existência, para o nosso chamado à paternidade”, diz.
‘Nunca imaginei que minha história chegaria a tantos lares’
Rebeca registrou um trecho do parto no carro e resolveu fazer um post nas redes sociais. O vídeo viralizou, alcançando mais de 7,6 milhões de visualizações. Nos mais de 5 mil comentários, os internautas ficaram impressionados com a tranquilidade dos pais.
“Ela é tão boa obstetra que fez o próprio parto”, brinca um. “Parto relâmpago, sem sofrimento para a mulher, deve ser a coisa mais linda da vida. E sem contar com a expressão de plenitude da mamãe”, elogia outro. “O pano de prato tem que emoldurar”, diz um terceiro.
Rebeca não esperava que o vídeo teria tamanha repercussão. “Sabia que iria chamar atenção, não somente pelo local onde ela nasceu, mas também pelo fato de eu ser obstetra, mas nunca imaginei que minha história chegaria a tantos lares”, conta. “Fico feliz que seja assim. Precisamos dar testemunho de boas novas”, finaliza.









