Motim ocorreu no primeiro raio da unidade e exigiu reforço da Polícia Militar na noite de terça-feira (24)
Um início de rebelião foi registrado na noite de terça-feira (24) no Centro de Ressocialização de Sorriso (a 400 km de Cuiabá) e mobilizou 20 militares para controlarem a unidade.
Segundo o tenente da Polícia Militar, Jorge Luiz de Almeida, os militares foram acionados e prestaram apoio aos policiais penais após o motim, concentrado no primeiro raio da penitenciária.
Um vídeo registrado pela imprensa local mostra a intensidade do motim. Na gravação, feita do lado de fora do presídio, é possível ouvir a movimentação dos detentos. Um dos presos apresentou ferimentos leves e recusou atendimento médico.
O motivo da rebelião não foi divulgado. De acordo com o tenente, as causas da mobilização dos detentos ainda serão apuradas.
Sistema prisional de Mato Grosso
Em dezembro de 2025, o desembargador Orlando Perri, presidente do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF-MT), classificou como uma “tragédia” a situação do Centro de Ressocialização de Sorriso.
Uma inspeção conduzida por ele na unidade, no dia 23 de outubro do mesmo ano, revelou que celas projetadas para 16 pessoas estavam ocupadas por até 32 internos — situação que, conforme o magistrado, compromete a segurança, a higiene, o descanso e qualquer política minimamente eficaz de ressocialização.
Já um levantamento do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Penitenciário e Socioeducativo (GMF-MT), realizado neste ano, revelou que 18 das 41 unidades prisionais de Mato Grosso estão impedidas de receber novos detentos devido à superlotação.
Entre as unidades interditadas estão a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá; o Presídio Ferrugem, em Sinop; o Presídio Mata Grande, em Rondonópolis; e o presídio feminino Ana Maria do Couto May, também na Capital.
Também aparecem na lista a Cadeia Pública de Alta Floresta; de Alto Araguaia; de Diamantino; de Sorriso; além das cadeias femininas de Arenápolis, Cáceres, Colíder, Nortelândia, Nova Xavantina e Rondonópolis.
O levantamento aponta que a população prisional de Mato Grosso cresceu 66,6% nos últimos dez anos, passando de 9,6 mil em 2016 para cerca de 16 mil em 2026.
Segundo os dados, a “explosão” da população carcerária ocorreu entre 2024 e 2026, com alta de 17,5%, saltando de 13,7 mil detentos, em 2024, para 16 mil até janeiro de 2026. No mesmo período, o crescimento nacional ficou abaixo de 4%.











