Recuperação das lavouras após as chuvas de dezembro eleva produtividade para 64,7 sacas por hectare, mas excesso de oferta preocupa produtores mato-grossenses.

As chuvas em Mato Grosso trouxeram alívio para o campo, mas acendeu um sinal vermelho para o mercado financeiro. Após um início de ciclo dramático devido à seca, a regularização das chuvas a partir de dezembro transformou o cenário.

Um levantamento do projeto Imea em Campo, conduzido em parceria com a Aprosoja MT, que acompanha o desenvolvimento das lavouras desde dezembro de 2025, revisou a produtividade para 64,73 sacas por hectare, e identificou um salto de 7,06% em comparação à estimativa anterior.

 

Com a área cultivada mantida em 13,01 milhões de hectares, o estado caminha para consolidar uma produção de 50,52 milhões de toneladas. O volume se aproxima do recorde histórico e reflete o vigor das plantas após o período crítico. “As chuvas potencializaram a lavoura. Já há aumento na produtividade nas áreas colhidas”, confirma Rodrigo Silva, coordenador do Imea.

O problema para o produtor reside na matemática do mercado. Com uma produção tão vasta e uma demanda estável, Mato Grosso terminará o ciclo com um estoque final de 600 mil toneladas — mais que o dobro do registrado no ano passado. Esse excedente de grãos é o principal combustível para a queda dos preços.

 

As projeções indicam que a saca de 60 kg pode ser comercializada por menos de R$ 100, valor que pressiona severamente a margem de lucro. “Se a produção continuar nesse ritmo, o estoque aumenta e os preços ficam muito pressionados“, alerta o Imea. Atualmente, a previsão é de que o estado exporte 32,10 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno deve absorver 13,24 milhões.

Os dados definitivos sobre a área plantada, colhidos por monitoramento via satélite, serão publicados no início de abril, mas o ritmo acelerado das colheitadeiras já desenha um ano de silos cheios e rentabilidade sob ameaça no maior produtor de grãos do país.

Fonte :  RP