Ex-segurança diz ter sido orientado por pessoa ligada à família do governador a se desfazer do aparelho após episódio repercutir.

O ex-segurança da ex-primeira-dama Virginia Mendes, Eros Rogério Barros Araújo, voltou a agitar os bastidores com um relato que, segundo ele, acendeu um verdadeiro sinal de alerta. Em entrevista ao podcast de Popó Pinheiro, na sexta-feira (17.04), Eros afirmou ter sido procurado por uma pessoa “muito importante”, que não é militar, mas ligada à família do governador, com uma orientação no mínimo incomum: se desfazer do próprio celular após um episódio que ganhou repercussão.

Ao detalhar o contexto, ele explicou que o episódio ocorreu após um fato envolvendo o filho de sua namorada ganhar visibilidade. Segundo Eros, a repercussão teria incomodado e, nesse momento, veio o alerta. “É público um fato que aconteceu comigo na situação envolvendo o filho da minha namorada, que foi noticiado. E aí, quando isso deu bastante audiência, uma pessoa muito importante, que não é militar, da família do governador, me chamou e falou: ‘você precisa desfazer do seu aparelho telefônico’”, relatou.

“Você precisa desfazer do seu telefone… por ter vindo dessa pessoa em especial, eu pensei comigo rápido, bem rápido. A polícia pega as coisas no ar. Falei: ‘pera aí, sobre os fatos não tem nada. Eu tenho minha consciência tranquila, não fiz, não bati, não aconteceu, não tenho nada no meu celular que me incrimine. Eu vou desfazer do meu celular por quê? Já sei. Então, a partir desse momento, eu desfiz sim, entre aspas”, revelou.

Ele diz que questionou a orientação e recebeu como resposta a possibilidade de uma eventual operação policial. “Perguntei por quê, e a pessoa disse que poderia ter uma operação, que poderiam pegar meu telefone e isso poderia me comprometer”, afirmou.

Sem revelar nomes, descreveu a cena com cautela, mas deixando margem para interpretações. Disse ter estranhado o conselho, ainda mais por garantir que não havia nada em seu aparelho que pudesse comprometê-lo. Ainda assim, contou que decidiu lacrar o telefone e separar conteúdos que, segundo ele, serviriam como resguardo.

Eros afirma que registrou a conversa e mantém gravações, imagens e outros materiais guardados. Repetiu que não quer conflito, mas deixou escapar que conhece bem os caminhos e o peso da política. Desde então, diz ter passado a olhar o ambiente ao redor com desconfiança e a perceber que sua permanência ali poderia estar chegando ao fim.

Sem acusações diretas, mas carregado de insinuações, o relato acrescenta mais uma peça ao jogo, daquelas que dizem muito sem precisar dizer tudo. E é justamente nesse silêncio que cresce a curiosidade. Afinal, quem seria essa figura “importante”, não militar, dentro do círculo familiar do poder, com liberdade suficiente para fazer esse tipo de recomendação?

Nos bastidores, a dúvida não é pequena. O perfil descrito por Eros não é amplo e o ambiente ao qual ele estava ligado também não deixa tantas possibilidades assim. Coincidência ou não, o episódio levanta sobrancelhas. Há quem diga que, nesse círculo restrito, certas vozes têm peso diferenciado e trânsito suficiente para orientar, sugerir ou até antecipar movimentos.

Enquanto isso, o próprio Eros segue falando em códigos — o suficiente para provocar, mas sempre evitando fechar o quebra-cabeça.