Wilton Wagner foi acusado de chamar policiais penais de “burros” e de chamá-los como cachorros.

O empresário Wilton Wagner Magalhães, que foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito e produto de furto, foi acusado de desacatar policiais penais enquanto estava detido na Coordenadoria de Custódia e Escolta Metropolitana de Cuiabá. Ele é um dos alvos da Operação Aposta Perdida, deflagrada pela Polícia Civil nessa quinta-feira (23), para desarticular um grupo familiar envolvido na divulgação do Jogo do Tigrinho e lavagem de dinheiro.

De acordo com o registro da ocorrência, quando um dos policiais foi informar ao empresário que ele seria levado ao presídio Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, ele se alterou e passou a xingar os policiais penais de “burros”, dizendo que eles não sabiam de nada.

Além disso, consta no registro que Wilton teria ameaçado um policial, dizendo “vai ver o seu”, e feito assobios, como se estivesse chamando um cachorro, ato considerado humilhante pelos profissionais.

Diante disso, o empresário foi levado à Central de Flagrantes de Várzea Grande, onde assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por injúria e ameaça.

Conforme informações obtidas pela reportagem, os supostos desacatos teriam ocorrido após audiência de custódia, na qual o juiz do Núcleo de Justiça 4.0, Cássio Leite de Barros Netto, concedeu liberdade provisória a Wilton Wagner, mediante o pagamento de fiança de R$ 15 mil.

O empresário, por outro lado, negou ter sido desrespeitoso com os policiais penais e afirmou que, na ocasião, queria apenas saber se o valor da fiança já havia sido pago e qual era sua situação.

Uma audiência foi marcada para o dia 29 de junho, e Wilton Wagner foi notificado a comparecer para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido.

Operação Aposta Perdida

O empresário Wilton Wagner foi alvo da Operação Aposta Perdida, deflagrada nessa quinta-feira pela Polícia Civil, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).

De acordo com as investigações, um grupo criminoso composto por membros da mesma família praticava crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de jogos de azar online.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão, duas suspensões de atividades econômicas, dois bloqueios de contas em redes sociais, cinco sequestros de imóveis, quatro sequestros de veículos, quatro apreensões de passaportes e 10 bloqueios de contas físicas e jurídicas no valor de R$ 10 milhões.

Além do empresário, foram alvos a esposa dele, Jessica Orben Vasconcelos Magalhães; a irmã de Jéssica, Lili Vasconcelos; e seu marido, o empresário Erison Coutinho, proprietário da loja Rei dos Panos. Os quatro ostentavam uma vida de luxo incompatível com a renda formal declarada.

Durante o cumprimento da busca e apreensão na casa de Wilton, localizada no condomínio Florais da Mata, em Várzea Grande, a polícia encontrou uma pistola Glock G21 calibre .45, além de 12 munições do mesmo calibre e outras 50 munições calibre .380. O armamento estava escondido dentro de um cofre instalado no closet da residência.

Segundo os autos, a arma é produto de furto ocorrido em 2024, em um hotel de Cuiabá, e foi encontrada em pleno funcionamento após perícia técnica.

De acordo com a Polícia Civil, Wilton Wagner não possuía registro da arma de fogo, classificada como de uso restrito. A investigação também aponta indícios de que ele tinha conhecimento da origem ilícita do armamento, o que motivou o enquadramento por receptação.

Em razão disso, ele foi preso em flagrante, mas teve a liberdade concedida após audiência de custódia, mediante o pagamento de fiança de R$ 15 mil.