Decisão considerou gravidade da violência, histórico de agressões e risco à vítima; parlamentar também foi afastado do cargo.

A Justiça de Mato Grosso decretou a prisão preventiva de Laércio Norberto Júnior, o Júnior Chaveiro, vereador afastado de Barra do Bugres (a 177 km de Cuiabá), acusado de espancar a namorada. A decisão foi assinada pelo juiz substituto Antonio Dias de Souza Neto, da 3ª Vara do município.

De acordo com o processo, a Polícia Judiciária Civil (PJC) pediu a prisão após apurar que, na madrugada do dia 19 deste mês, ele teria atacado a vítima com extrema violência, utilizando uma chave de roda para desferir golpes na cabeça e nas pernas da mulher, além de mordê-la e tentar sufocá-la, fazendo ameaças de morte durante a agressão.

Em depoimento, a vítima relatou que já vinha sofrendo agressões anteriores, incluindo um episódio em que teve a perna perfurada e outro que deixou cicatriz em seu rosto.

 

Inicialmente, o pedido de prisão havia sido negado, sob o entendimento de que medidas protetivas seriam suficientes. No entanto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) insistiu na prisão preventiva, destacando a gravidade concreta do caso, o risco de novas agressões e a necessidade de proteger a vítima.

Ao reavaliar o caso, o juiz Antonio Dias de Souza Neto considerou que há provas suficientes da materialidade do crime e indícios de autoria, além de risco real caso o investigado permaneça em liberdade. A decisão também levou em conta o histórico de violência e o modo extremamente agressivo como o crime foi cometido.

Outro ponto destacado foi o fato de o acusado ocupar o cargo de presidente da Câmara Municipal, o que, segundo o magistrado, aumenta o risco de intimidação da vítima e de interferência na investigação, já que ambos atuam no mesmo ambiente.

Na decisão, o juiz afirmou que medidas protetivas, embora necessárias, não são suficientes diante da gravidade da situação. Assim, determinou a prisão preventiva como forma de garantir a segurança da vítima, a ordem pública e o andamento adequado do processo.

A Câmara Municipal de Barra do Bugres cassou Norberto e, dias após a denúncia, suspendeu temporariamente o mandato do vereador, que teve o salário cortado até a conclusão das investigações.