Juíza acolhe tese de que empresário não teve intenção de matar e aponta “confusão generalizada” em episódio no bairro Popular.

A juíza Helícia Vitti Lourenço, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, decidiu que o empresário José Clovis Pezzin de Almeida, o “Marllon Pezzin”, não responderá mais por tentativa de homicídio no caso do atropelamento que destruiu parcialmente o Restaurante Haru, localizado na Praça Popular, em maio de 2025. A decisão foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico hoje (27).

A magistrada destacou que as provas colhidas até o momento, incluindo vídeos e depoimentos, não sustentam a tese de crime doloso contra a vida. A juíza acolheu o entendimento de que não houve intenção de matar por parte do investigado.

Não se verifica elementos que permitam conclusão diversa, qual seja, a existência de animus necandi na conduta do investigado, mas a ocorrência de uma confusão generalizada, supostamente provocada pelo investigado, com lesões corporais recíprocas“, afirmou a juíza Helícia Vitti Lourenço.

Em depoimento à Polícia Judiciária Civil (PJC), Pezzin alegou que agiu em “pânico” ao tentar fugir de agressões de frequentadores do local. Ele sustentou que o atropelamento de uma mulher, que seria sua própria tia, foi acidental durante a manobra de fuga.

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) concordou com a ausência de dolo na tentativa de matar, o que motivou a redistribuição dos autos.

Agora, o caso segue para o Núcleo de Justiça 4.0 – Juiz das Garantias, onde Marllon Pezzin poderá responder por crimes de menor potencial ofensivo em comparação ao homicídio, como lesão corporal e dano ao patrimônio.

Histórico de crimes

O empresário acumula mais de 10 passagens pela polícia. Entre os episódios de maior repercussão estão um atropelamento com um veículo Porsche que deixou uma vítima em coma em 2024, além de investigações na Operação Hades, que apura tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Pezzin também possui registros por violência doméstica e ameaça.