Após a repercussão da matéria, Leo Stronda utilizou suas redes sociais para comentar o caso e reconheceu que se arrepende da postura que teve na época e afirmou que considera ter falhado com o amigo.

A edição do último domingo (31/5) do Fantástico, da TV Globo, trouxe detalhes sobre a morte do influenciador e fisiculturista Gabriel Ganley, encontrado sem vida em 23 de maio no apartamento onde morava, na Mooca, zona leste de São Paulo. A matéria resgatou imagens em que o jovem, conhecido por defender o fisiculturismo natural, aparece recebendo aplicações hormonais diante das câmeras logo após completar 22 anos, sob incentivo do rapper e fisiculturista Leo Stronda.

Após a repercussão da matéria, Leo Stronda utilizou suas redes sociais para comentar o caso e reconheceu que se arrepende da postura que teve na época. Em um vídeo publicado para os seguidores, o influenciador afirmou que considera ter falhado com o amigo.

“Eu sinto que eu errei muito como cristão. Como pessoa, como amigo. Me arrependo profundamente”, desabafou Leo Stronda, que completou dizendo que nunca mais vai falar sobre anabolizantes em seu canal e projetos.

O caso reacendeu o debate sobre o crescimento do uso de hormônios e anabolizantes entre jovens brasileiros. Especialistas vêm alertando para o avanço dessa prática, que deixou de ser tratada de forma discreta para ganhar espaço nas redes sociais e até mesmo ser apresentada como parte da rotina de influenciadores fitness. Dados mostrados pela reportagem indicam que as vendas legais de testosterona, substância frequentemente utilizada para fins estéticos e de performance, atingiram seu maior patamar em 2025. Em comparação com os números registrados há sete anos, o aumento supera 700%.

Gabriel construiu sua trajetória na internet defendendo o chamado fisiculturismo natural, modalidade que dispensa o uso de substâncias anabolizantes. Apesar da musculatura desenvolvida, a aparência jovem e o jeito espontâneo conquistaram o público e renderam a ele o apelido de “Bebezinho Natural”. Nas redes, compartilhava treinos, evolução física e o cotidiano ligado ao esporte, acumulando cada vez mais seguidores.

Entretanto, sua relação com o universo dos hormônios mudou ao longo do tempo. Em 2025, o influenciador revelou publicamente que havia iniciado o uso dessas substâncias. Segundo ele, os produtos eram fornecidos por patrocinadores.

“Peguei o patrocínio das paradas e vi assim: ‘Cara, posso pedir o que eu quiser’”.

Para a reportagem, o Fantástico ouviu atletas, influenciadores, amigos e pessoas próximas de Gabriel. Muitos dos entrevistados admitiram utilizar anabolizantes. Mesmo após a morte do jovem, nenhum deles afirmou ter desistido da prática. O discurso predominante foi o de que seria possível recorrer às substâncias de maneira segura, uma ideia frequentemente difundida nas plataformas digitais por criadores de conteúdo que defendem a existência de uma suposta “forma certa” de usar anabolizantes, minimizando seus riscos.

Ao longo de vídeos publicados na internet, o próprio Gabriel chegou a relatar efeitos adversos relacionados ao uso dos hormônios. Ainda assim, demonstrava acreditar que conseguia manter a situação sob controle. De acordo com um laudo preliminar elaborado pelo Instituto Médico Legal (IML), a morte foi provocada por uma parada cardíaca súbita. A investigação segue em andamento e a polícia ainda aguarda a conclusão dos exames toxicológicos para esclarecer as circunstâncias do caso.