O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) determinou o encaminhamento de documentos processuais e mídias ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para que seja investigado o vídeo em que o empresário Carlos Alberto de Araújo aparece contando vultosas quantias de dinheiro em espécie. O homem é marido da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL).
O pedido partiu do relator do caso, juiz Raphael de Freitas Arantes, que confirmou o desentranhamento e o envio das provas com o objetivo de que sejam adotadas as providências cabíveis no âmbito do Ministério Público Eleitoral. O material e os arquivos de mídia foram anexados a um recurso cível-eleitoral (Ação de Investigação Judicial Eleitoral – AIJE) movido pelos diretórios municipais do União Brasil e do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Os partidos de oposição sustentam que as imagens do “primeiro-cavalheiro” manuseando maços de dinheiro em espécie dialogam diretamente com indícios de um esquema de caixa dois e abuso de poder econômico na campanha de 2024. O escândalo ganhou densidade jurídica após a juntada de termos de declarações formais prestados perante a Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso, no dia 14 de abril de 2026.
Duas coordenadoras de equipe de fiscais do Partido Liberal (PL) de Várzea Grande relataram à autoridade policial o que a acusação classifica como um “método operacional” ilegal de fluxo financeiro. Segundo os depoimentos de Vania de Arruda Marques Nascimento e Ivany Ferreira dos Santos, elas foram contratadas formalmente uma semana antes da eleição para coordenar os fiscais partidários nas escolas Manoel Corrêa de Almeida e Gattiboni.
Embora os contratos previssem formalmente o pagamento de uma diária de R$ 250 por meio de transferência eletrônica via PIX, o pagamento real foi efetuado de forma muito diferente. As testemunhas afirmaram que, no dia seguinte ao pleito (7 de outubro de 2024), foram orientadas a ir até o comitê central do partido. No local, receberam o pagamento de R$ 500,00 (valor dobrado em relação ao contrato) totalmente em “dinheiro vivo”.
Além disso, os operadores da campanha entregaram a cada uma das coordenadoras pacotes com mais R$ 1.750 em espécie, com a ordem de que fizessem o repasse manual e direto aos sete fiscais de suas respectivas equipes.
Os diretórios municipais do União Brasil e MDB argumentam na petição que os depoimentos e o vídeo não trazem uma inovação ao processo, mas “densificam e tornam concretamente verificável” o eixo principal da denúncia apresentada originalmente: o abuso de poder econômico, a omissão de gastos eleitorais e a criação de uma estrutura paralela de financiamento à margem da contabilidade oficial da Justiça Eleitoral.
Desde que as denúncias surgiram, a prefeita Flávia Moretti rebateu as acusações, qualificando-as como uma tentativa de desestabilização política promovida por adversários derrotados nas urnas. Moretti afirmou que o vídeo divulgado é “antigo, está fora de contexto” e questionou publicamente os motivos de o material ter sido guardado e vazado somente no período que antecedia o julgamento do recurso eleitoral.
Na mesma linha, seu marido, Carlos Alberto de Araújo, divulgou manifestação oficial assegurando que o registro audiovisual possui baixa nitidez, remete a período pretérito e não guarda absolutamente nenhum vínculo com o contexto eleitoral ou com o financiamento da campanha majoritária de 2024 em Várzea Grande.















