Perito cita condições técnicas e visibilidade suficientes para que bióloga evitasse atropelamentos: ‘não havia obstáculos’
O perito criminal Henrique Praieiro de Carvalho afirmou, durante o julgamento realizado nesta terça-feira (23), que a motorista Rafaela Screnci possuía condições técnicas e visibilidade suficientes para evitar o atropelamento que vitimou três jovens em dezembro de 2018, na Avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá. Segundo o depoimento, a colisão ocorreu sem que houvesse qualquer tentativa de frenagem anterior ao impacto.
Responsável pela confecção do laudo da dinâmica do evento, Praieiro explicou que chegou ao local pouco após as 6h da manhã, quando as vítimas fatais ainda estavam na via. O trabalho pericial, que cruzou vestígios materiais com imagens de vídeo, permitiu identificar a geometria exata da avenida e calcular a velocidade do veículo no momento do acidente em aproximadamente 54 km/h.
De acordo com o especialista, as condições de trafegabilidade da Avenida Isaac Póvoas eram favoráveis no dia do ocorrido. O campo de visibilidade da condutora era de 120 metros, distância muito superior aos 33 metros que seriam necessários para reagir, frear e evitar a colisão. “Não havia obstáculos que pudessem impedir Rafaela de ver as pessoas à sua frente”, afirmou Henrique Praieiro em trecho de seu depoimento.
O perito também confrontou as conclusões de um laudo contratado pela defesa da ré. Enquanto os assistentes técnicos de Rafaela argumentaram que luzes de outros veículos poderiam ter impossibilitado a visão das vítimas, Praieiro destacou que tal afirmação não possui respaldo científico. Ele garantiu que, mesmo se fosse considerada a visibilidade reduzida de 47 metros apontada pela defesa, ainda haveria tempo para “repousar” o veículo e impedir o atropelamento.
A investigação apontou, ainda, a ausência de manobras evasivas, como uma guinada no volante para desviar dos pedestres. Os registros indicam que o freio só foi acionado cerca de um segundo após o impacto, sem conseguir parar o carro completamente antes de atingir outros veículos estacionados.
O acidente ocorreu em 23 de dezembro de 2018 e resultou na morte de Myllena Lacerda Inocêncio, de 22 anos, e Ramon Alcides, de 25 anos. A terceira vítima, Hya Girotto, sobreviveu após passar três semanas internada.
Apesar de apontar a responsabilidade da condutora pela evitabilidade do choque, o perito observou que o local escolhido pelos jovens para a travessia era inadequado. Ele concluiu que o acidente não teria ocorrido se as vítimas tivessem atravessado a via de maneira contínua e constante.
Rafaela Screnci, que chegou a ser presa na época mas foi liberada após o pagamento de fiança, enfrenta agora o veredito do Tribunal do Júri.
Fonte : OL















