No julgamento do caso Valley realizado nesta terça-feira (23), o mecânico Mogar Meirelles, testemunha ocular do atropelamento que vitimou três jovens em Cuiabá em 2018, apresentou um relato detalhado sobre o comportamento da condutora Rafaela Screnci. Segundo o depoente, a acusada dirigia em velocidade superior à dos demais veículos e apresentava sinais nítidos de embriaguez, tendo sido interceptada por ele após tentar seguir adiante sem prestar socorro imediato às vítimas,.
Mogar Meirelles relatou que estava saindo de um estacionamento na Avenida Isaac Póvoas quando a caminhonete dirigida por Rafaela passou pelo local. De acordo com o depoimento, a velocidade do veículo chamou sua atenção, sendo este o motivo pelo qual ele aguardou a passagem do carro para ingressar na via. “Estava bem mais rápido que os outros carros da via”, afirmou a testemunha em trecho de seu depoimento.
Após presenciar o impacto e ver as vítimas serem lançadas, o mecânico observou que a motorista não parou voluntariamente para socorrer os jovens, chegando a passar com as rodas sobre eles. Diante da situação, Meirelles decidiu agir. “Eu analisei a situação, acelerei meu carro e fechei o carro dela. Interceptei o carro dela”, declarou o mecânico conforme registrado no depoimento.
Ao confrontar a condutora após a interceptação, a testemunha descreveu que Rafaela parecia estar em um estado de profunda desorientação. Segundo o relato, a acusada estava “visivelmente embriagada” e demonstrava não compreender a gravidade do evento que acabara de causar.
Mogar Meirelles ainda destacou uma movimentação de terceiros no local logo após o acidente. Ele mencionou que alguns amigos da professora tentaram convencê-la a abandonar a cena, mas ela se recusou, sentando-se na esquina para chorar. A testemunha reforçou que avisou aos presentes que a motorista não sairia dali até a chegada dos órgãos competentes.
Contexto
O caso ocorreu na madrugada de 23 de dezembro de 2018. As vítimas, Myllena Lacerda Inocêncio (22 anos), Ramon Alcides (25 anos) e Hya Girotto, saíam de uma boate quando foram atingidas. Myllena e Ramon não resistiram aos ferimentos e faleceram, enquanto Hya sobreviveu após um período de três semanas de internação.
Rafaela Screnci, que chegou a ser detida em flagrante e liberada no dia seguinte mediante pagamento de fiança, enfrenta agora o Tribunal do Júri. O depoimento do mecânico é peça central na acusação, que busca demonstrar a responsabilidade da condutora no trágico episódio.















