Áudios mostram sevidor do Estado sendo usado para levar bolsa de luxo a Virginia Mendes em SP.
Áudios obtidos revelam a mobilização de estrutura vinculada ao Estado de Mato Grosso para atender uma demanda pessoal da ex-primeira-dama Virginia Mendes, que estava em São Paulo participando de um evento privado em uma joalheria. As gravações mostram a atuação de servidores públicos, articulação logística e uso de recursos institucionais para o envio de um item particular.
O episódio teve início após uma bolsa da marca Christian Dior, avaliada em mais de R$ 17 mil, ser esquecida na residência da família, em Cuiabá, no dia 4 de dezembro de 2024. No interior do item estavam medicamentos de uso contínuo. Já na manhã seguinte, conforme indicam os áudios, foram iniciadas tratativas para localizar o objeto e viabilizar seu envio à capital paulista, com contatos junto a empresa aérea, definição de horários e organização da retirada.
As conversas registram a orientação para que um agente se deslocasse até o Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, a fim de buscar a bolsa e embarcar com ela no primeiro voo disponível. Há também discussões sobre a identificação do item, conferência do conteúdo e alinhamento operacional para garantir a entrega. Após o transporte, foram encaminhados foto e áudio relatando que a bolsa havia sido manuseada durante inspeção aeroportuária, com alteração na organização interna dos objetos.
O material aponta que a mobilização envolveu integrantes da Casa Militar, assessoria e apoio administrativo, culminando na designação de um policial militar para realizar o transporte entre Várzea Grande e São Paulo. Entre os citados nas gravações estão o tenente-coronel Fernando Francisco Turbino dos Santos, o policial militar Berlitz Alves de Oliveira e a assessora Michelli Oliveira Almeida Lourenço Barbosa, vinculada à Unidade de Ações Sociais e Atenção à Família (UNAF), da Casa Civil. Também há referência à participação de uma funcionária da residência da família, responsável por repassar informações sobre os medicamentos e auxiliar na organização da retirada.
Os áudios ainda indicam que os medicamentos já faziam parte de tratamento em curso, com possibilidade de reposição, inclusive com parte das doses já administradas ao longo do dia. Ainda assim, a operação para envio do item foi estruturada com prioridade, envolvendo diferentes frentes da administração.
Não é a primeira vez que o uso de estrutura pública em compromissos de natureza privada envolvendo Virginia Mendes é registrado. Em setembro de 2024, ela utilizou um veículo oficial, com motorista, para comparecer a um evento em uma loja da marca Gucci, no Shopping Iguatemi, em Brasília. Na ocasião, o automóvel, um Toyota Corolla, era vinculado ao escritório da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) na capital federal, e o deslocamento foi realizado por motorista a serviço da subprocuradoria.
A presença no evento foi divulgada pela própria Virginia Mendes em seu perfil pessoal nas redes sociais, onde mencionou o convite feito pela marca. À época, não ocupava cargo formal na estrutura do Governo.
No caso mais recente, além da mobilização para transporte da bolsa, as próprias conversas indicam que havia alternativas para obtenção dos medicamentos, como a possibilidade de aquisição em São Paulo a partir de prescrição já disponível. Ainda assim, a logística foi organizada para o envio do item diretamente de Cuiabá, com o emprego de pessoal e estrutura ligados ao Estado.
Vale lembrar que a ex-primeira-dama se colocou como pré-candidata a deputada federal.
OUTRO LADO
A reportagem do tentou contato com a assessoria da ex-primeira-dama, mas não houve retorno. O espsço segue aberto para manifestação.











