O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) incluiu na pauta de sua sessão plenária virtual a votação sobre a prorrogação do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o magistrado Wladymir Perri. O julgamento ocorrerá entre o dia 23 de junho e 30 de junho de 2026. A investigação apura possíveis desvios de conduta do juiz na condução de processos criminais relacionados ao assassinato do advogado Roberto Zampieri.
A investigação teve início após uma reclamação disciplinar apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE). O órgão questionou a postura de Perri durante a tramitação do inquérito sobre o homicídio qualificado de Zampieri.
Entre as principais suspeitas de irregularidade, destaca-se a forma como o magistrado lidou com as provas colhidas pela Polícia Civil. Segundo as apurações, o juiz teria confiscado materiais apreendidos, incluindo o aparelho celular da vítima, e restringido o acesso das partes interessadas ao conteúdo.
Um ponto central da acusação é a abertura de envelopes de provas sem a devida transparência. Conforme descrito nos autos, o magistrado “negou acesso às partes e deslacrou envelopes físicos apresentados na unidade judicial, sem designação de ato que pudesse ser acompanhado e fiscalizado pelo Ministério Público ou pelas defesas”.
O processo, relatado pelo conselheiro Ilan Presser, apura se o magistrado violou a Súmula Vinculante nº 14, um dispositivo do Supremo Tribunal Federal (STF) que garante à defesa o direito de acessar provas já documentadas em investigações. O descumprimento dessa norma, aliado ao desvio de função e à decretação injustificada de sigilo, compõe o quadro de possíveis infrações disciplinares.
A votação atual decidirá se o prazo para a conclusão das investigações será estendido. O resultado será determinante para definir se as condutas de Wladymir Perri resultaram em prejuízo à justiça e quais penalidades administrativas poderão ser aplicadas ao magistrado ao final do processo.
As informações contidas no celular de Roberto Zampieri revelaram esquema de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, com afastamento dos desembargadores João Ferreira Filho, Sebastião de Moraes e Dirceu dos Santos.















