Promotora diz não haver justificativa para sigilo no júri de Carlinhos Bezerra

A poucos dias do julgamento do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, acusado de matar a ex-companheira Thays Machado e o namorado dela, Willian Cesar Moreno, o Ministério Público Estadual (MPE) entrou na Justiça para tentar derrubar o sigilo imposto ao Tribunal do Júri e garantir que a sessão seja aberta ao público e à imprensa.

O pedido foi protocolado pela promotora de Justiça Élide Manzini de Campos junto à 1ª Vara Criminal de Cuiabá nessa quinta-feira (02.07), após a juíza presidente do Tribunal do Júri, Mônica Catarina Perri Siqueira, determinar que apenas pessoas diretamente ligadas ao processo possam acompanhar o julgamento marcado para a próxima terça-feira (07).

A decisão da magistrada também proíbe a presença da imprensa no plenário e veda a captação de imagens do réu dentro e nas proximidades do recinto onde ocorrerá a sessão.

Para a promotora, não existem razões concretas que justifiquem a manutenção da restrição.

“Posso informar que protocolei junto ao Juízo um pedido de levantamento integral do sigilo, para que a sessão plenária seja pública, viabilizando a realização do julgamento sem restrição de acesso ao público”, afirmou Élide Manzini de Campos.

Na manifestação encaminhada ao Judiciário, ela sustenta que não há justificativa atual para impedir a publicidade do julgamento e destaca que o sigilo processual não alcança o nome do acusado nem os demais elementos que já são de conhecimento público.

O caso é considerado um dos mais emblemáticos dos últimos anos em Mato Grosso e teve grande repercussão em razão da violência dos crimes e da condição do acusado, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra.

Réu confesso, Carlinhos Bezerra responde pelo feminicídio da servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Thays Machado, e pelo homicídio de Willian Cesar Moreno. Os assassinatos ocorreram em 18 de janeiro de 2023, em Cuiabá.

Segundo a denúncia, o empresário perseguiu as vítimas e efetuou diversos disparos de arma de fogo. Ele responde por duplo homicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas. No caso de Thays Machado, o Ministério Público também imputou a qualificadora de feminicídio.