Moretti fala em misoginia na Câmara, mas preserva assessor acusado de ameaças e ofensas.

Prefeita reage a ataques, mas silencia diante de denúncia contra aliado no próprio gabinete.

A prefeita Flávia Moretti (PL) comprou uma briga pública ao denunciar misoginia no embate com o presidente da Câmara. Mas, dentro de casa, o discurso começa a desafinar. O assessor Gustavo Henrique Duarte, alvo de boletim de ocorrência por ofensas, ameaças e conduta abusiva contra uma servidora, segue no cargo como se nada tivesse acontecido.

A denúncia é grave: xingamentos, perseguição no ambiente de trabalho e pedido de medida protetiva. Pior, o episódio teria ocorrido no gabinete da prefeita. Não é ruído de corredor — é crise instalada no coração da gestão.

E o que veio da assessoria foi uma nota morna, burocrática, com cheiro de pano quente. Em vez de tratar o caso com a seriedade que exige — inclusive para proteger outras servidoras — preferiu minimizar, como se fosse apenas mais um “desentendimento interno”.

“Procurada pelo , a Prefeitura de Várzea Grande informou que não comenta questões de natureza estritamente pessoal, alegando a necessidade de preservar a intimidade e o devido processo legal dos envolvidos. A gestão destacou, no entanto, que toda manifestação formal é encaminhada aos setores competentes para análise, conforme a legislação vigente, e afirmou que mantém políticas voltadas à garantia de um ambiente de trabalho seguro e respeitoso. Por fim, a Prefeitura declarou que permanece à disposição para esclarecimentos dentro dos limites legais, reafirmando compromisso com a transparência”, diz a nota.

Não dá. Quem levanta a bandeira contra a misoginia não pode relativizar quando a denúncia atinge alguém do próprio time. Coerência, na política, não é opcional — é obrigação.

Se o discurso é de tolerância zero, a prática precisa acompanhar. Caso contrário, vira apenas retórica conveniente.

Prefeita, vai agir ou vai fingir que não viu? Pior: não é a primeira vez que esse servidor é citado em episódios semelhantes e, ainda assim, permanece na gestão. O que não serve como ofensa para a senhora também não pode ser tolerado contra qualquer servidora.