Despacho do TJMT detalha “posição de comando” de Alexandre Lopes e omissão deliberada no pagamento de frotas de veículos inexistentes
O prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes de Oliveira (União), divulgou vídeo na quarta-feira (8), na sua página no Instagram, para alegar que é inocente quanto à investigação de desvio de quase 70 mil litros de combustível e contratos de R$ 29 milhões. Despacho do Tribunal de Justiça de Mato Grosso detalha “posição de comando” de Alexandre Lopes e omissão deliberada no pagamento de frotas de veículos inexistentes.
O gestor utilizou mais de três minutos em sua defesa, esclarecendo “que não corresponde ao conteúdo dos autos a afirmação de que o prefeito seria o “ponto central” das denúncias”. Em tom sereno, explica aos mais de 27 mil seguidores que foi ele quem pediu “há mais de um ano” que a Controladoria Interna da prefeitura realizasse uma auditoria nos contratos relacionados à frota de veículos e ao abastecimento de combustível.
O desvio de quase 70 mil litros de combustível (para particulares sem vínculo com a administração), o pagamento de locações de veículos inexistentes e outras de despesas com manutenção de bens alheios ao patrimônio municipal são alvos de investigação da segunda fase da Operação Gomorra, que colocam o prefeito de Campo Verde no centro de um grande esquema de desvio de verbas públicas.
A repercussão do fato na imprensa e na cidade de Campo Verde, segundo o gestor municipal, necessita de uma reflexão. “Faz sentido que o gestor que detectou o problema, determinou a auditoria, encaminhou os fatos aos órgãos de controle e adotou medidas para corrigir as falhas seja investigado por um ato que se limitou apenas a assinatura de uma ata, respaldado com parecer jurídico favorável da Procuradoria”, questiona o prefeito Alexandre Lopes de Oliveira, amparando no argumento de “que mais de 100 prefeituras aderiram essa mesma ata”.
Na prática, o processo não parece tão simples. Conforme o despacho assinado pelo desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, o chefe do Executivo teria se valido diretamente do cargo para assinar quatro contratos — nº 091/2024, 010/2024, 006/2024 e 113/2024, que somam mais de R$ 29 milhões. “No tocante aos indícios de autoria, os elementos coligidos apontam para uma divisão de tarefas entre o núcleo político-administrativo e o núcleo empresarial. O prefeito municipal, Alexandre Lopes de Oliveira, na condição de ordenador de despesas, subscreveu contratos viciados e ratificou pagamentos irregulares”, registra a decisão judicial.
Irregularidades e superfaturamentos dos contratos estão sendo apurados pela justiça estadual, que imediatamente determinou a quebra do sigilo fiscal da empresa Paulo Andreis e Cia Ltda, exigindo notas fiscais e apreensão de dispositivos eletrônicos.
Até esta quinta-feira (9), o vídeo já acumulava mais de 500 comentários. Em uma das manifestações, uma seguidora escreveu: “Parabéns pela postura e clareza do posicionamento”. Ao final do pronunciamento, Alexandre reafirma que continuará colaborando com as investigações e diz confiar que “a verdade prevalecerá”.















