Sérgio Ricardo afirma que região tem 80 favelas e atribui cenário à falta de investimento em habitação.
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, afirmou nesta segunda-feira (13.04) que Cuiabá e Várzea Grande são cidades pobres e que a Baixada Cuiabana vive em situação de miséria. Segundo ele, a região concentra ao menos 80 favelas, reflexo direto da falta de investimentos em habitação e saneamento.
A declaração foi feita durante coletiva de imprensa realizada na aula magna da nova turma do MBA em Gestão de Cidades, em Cuiabá, com a presença do ministro do Tribunal de Contas da União, Antonio Anastasia.
Ele relacionou diretamente essa falta de investimento à realidade social da região metropolitana. “A Baixada Cuiabana é miserável. A capital é uma capital pobre. Várzea Grande é uma cidade pobre. Nós temos 80 favelas só em Cuiabá e Várzea Grande. Quando não se investe em habitação, não se constrói casa, e o resultado está aí”, declarou.
Ao ampliar o diagnóstico sobre o Estado, Sérgio Ricardo afirmou que Mato Grosso apresenta forte desigualdade social, apesar do desempenho econômico em setores estratégicos.
“Mato Grosso não é um Estado rico. O Estado de Mato Grosso tem setores que são ricos. O agronegócio é rico, a mineração é rica, mas nós temos uma população que sofre. Nós somos um Estado de desigualdade, com ilhas de prosperidade e ilhas de miséria”, disse.
O presidente do TCE-MT também chamou atenção para a situação da saúde pública e relacionou a incidência de doenças à ausência de infraestrutura básica, especialmente saneamento.
“Nós estamos 600% acima da média nacional em hanseníase. Onde está a hanseníase? Onde ela nasce? É em uma casa que não tem saneamento básico. Então, nós não somos um Estado igual para todos”, afirmou.
Durante a coletiva, ele ainda criticou a deficiência na infraestrutura energética e os impactos diretos na economia e na geração de empregos.
“Nós não temos energia de qualidade no Estado de Mato Grosso. Ao não termos energia, não temos industrialização. Não tendo industrialização, não temos geração de emprego”, pontuou.
Sérgio Ricardo também ampliou a análise para o cenário nacional e destacou a baixa quantidade de trabalhadores formais no Brasil.
“O Brasil tem 210 milhões de habitantes e só tem 40 milhões de pessoas com carteira assinada. O que gera renda é trabalho. Como fazer se temos tão poucas pessoas contribuindo e registradas?”, questionou.
Ele defendeu ainda a necessidade de qualificação profissional diante das transformações no mercado de trabalho, impulsionadas pelo avanço tecnológico. “Nós temos que qualificar pessoas. Nós não qualificamos as pessoas e isso precisa mudar”, afirmou.
Ao tratar da aplicação de recursos públicos, o presidente do Tribunal de Contas citou o FETHAB como exemplo de descumprimento de previsão legal. Segundo ele, o percentual destinado à habitação e saneamento está abaixo do previsto.
“O FETHAB arrecadou cerca de R$ 4 bilhões em 2025. Pela lei, 16% deveriam ser investidos em habitação e saneamento, o que daria quase R$ 1 bilhão. Mas foram aplicados apenas 2,8%, cerca de R$ 100 milhões. Isso é lei não cumprida”, criticou.











