Sinfra diz que atrasou BRT para não parar trânsito de Cuiabá

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) não confirmou que o custo total das obras do BRT em Cuiabá e Várzea Grande chegará a R$ 1 bilhão, como estimou o deputado estadual Lúdio Cabral (PT). Em entrevista à imprensa, nesta segunda-feira (13.07), após audiência de convocação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o secretário-adjunto de Gestão e Planejamento Metropolitano, Isaac Nascimento Filho, afirmou que o Governo do Estado ainda não consegue projetar o valor final do empreendimento.

Segundo Isaac, a estimativa mencionada por Lúdio não corresponde aos cálculos da Sinfra. “Essa é uma referência do deputado Lúdio, não é da Sinfra.”

Ao ser questionado qual é o valor estimado pela Secretaria para a conclusão do BRT, o secretário respondeu que o Governo ainda não dispõe dessa informação. “Não sabemos ainda por que a obra da Fernando Corrêa não foi licitada.”

Isaac confirmou ainda que o trecho da avenida Fernando Corrêa da Costa deverá ficar para o próximo ano. Conforme ele, como a licitação dessa etapa ainda não foi realizada, também não há recursos empenhados para sua execução. “A Fernando Corrêa somente no ano que vem. A obra não foi para licitação ainda, não precisa de empenho.”

Durante a entrevista, o secretário também foi questionado sobre o aumento no custo das 77 estações do BRT, cujo novo projeto praticamente dobrou o valor previsto inicialmente. Segundo ele, a diferença é resultado de alterações feitas para melhorar a estrutura que será entregue aos usuários.

“O principal motivo foi uma melhoria qualitativa para a população. O ar-condicionado, que era convencional, passou a ser industrial. Também colocamos vidro antivandalismo para evitar futuros danos. Melhoramos muito as estações.”

Sobre os sucessivos atrasos nas obras, tema que dominou a audiência na Assembleia, Isaac afirmou que o Estado optou por não abrir várias frentes de serviço ao mesmo tempo para reduzir os impactos no trânsito de Cuiabá.

“Principalmente no que se refere à mobilidade, que hoje está quase concluída. Para cumprir o prazo, nós teríamos que abrir diversas frentes de trabalho ao longo de toda a avenida do CPA, Prainha e 15 de Novembro, o que inviabilizaria totalmente o trânsito na Capital. A gente optou, junto com a Prefeitura e a Semob, por equalizar isso e avançar aos poucos para não atrapalhar mais ainda a mobilidade. Esse foi o grande motivo do atraso da obra.”

O secretário também afirmou que parte das intervenções precisou ser refeita após a identificação de problemas estruturais que não haviam sido detectados durante a fase de sondagem.

Como exemplo, citou a drenagem da avenida Prainha, onde, segundo ele, foram encontrados tubos que não estavam ligados ao canal existente.

“Descobrimos coisas que não tinha como descobrir com sondagem. Um exemplo clássico é a drenagem da Prainha. Muitos dos tubos não estavam chegando ao canal da Prainha, ou seja, havia risco até de desabamento próximo da Praça Ipiranga. Isso não tinha como descobrir antes. Só quando abre a obra é que conseguimos visualizar e corrigir.”

Questionado sobre a retirada do pavimento de concreto nas proximidades da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), na avenida do CPA, Isaac negou erro de execução e disse que a mudança buscou melhorar o fluxo de veículos.

“Do jeito que estava antes, a gente estaria estrangulando um pouco mais o trânsito. Optamos por mudar a pista para debaixo do viaduto para dar mais mobilidade naquele trecho.”

Em relação às novas intervenções na avenida da Feb, em Várzea Grande, e na região do Aeroporto Marechal Rondon, o secretário afirmou que a obra não está sendo refeita. Segundo ele, os serviços correspondem à continuidade da implantação das estações e à execução de reparos cobertos pela garantia contratual.

“Ali são as estações. Não estão refazendo a obra, estão dando sequência. Estão sendo feitas as interligações e construída a base das estações que não tinham sido feitas no outro contrato.”

Ao ser questionado sobre trechos já concluídos que voltaram a ser rompidos, Isaac afirmou que os reparos decorrem de falhas identificadas após a entrega.

“Não está sendo quebrado nada. O que acontece muitas vezes é a garantia da obra. Apareceram buracos na Feb e a empresa está executando a garantia. Simples assim.”