Wilton Magalhães havia sido preso em flagrante por porte ilegal de arma ao ser alvo de mandado de busca.

O influenciador digital e empresário Wilton Wagner Magalhães foi solto após passar por audiência de custódia na tarde desta quinta-feira (23). Ele havia sido preso na manhã de ontem, durante a Operação Aposta Perdida, por posse ilegal de arma de fogo.

A decisão foi assinada pelo juiz Cássio Leite de Barros Netto, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá, que impôs uma fiança de R$ 15 mil.

Não vislumbro nos autos nenhuma causa que sustente a necessidade de permanecer o indiciado recolhido no cárcere

Wilton foi alvo de mandados de busca e apreensão na operação, mas acabou preso em flagrante quando a Polícia encontrou uma Glock 9mm em sua casa.

Ao analisar o caso, o magistrado afirmou que não há motivo para converter a prisão em flagrante em preventiva, já que não estão presentes os requisitos legais. Ele destacou, ainda, que não há necessidade de manter o empresário preso, pois não existem indícios de que ele possa atrapalhar o andamento do processo ou descumprir eventual decisão judicial.

“Desta feita, ausentes os motivos que autorizam a prisão preventiva, a liberdade provisória deve ser deferida. Não vislumbro nos autos nenhuma causa que sustente a necessidade de permanecer o indiciado recolhido no cárcere, tal como a garantia da ordem pública, a conveniência da instrução criminal ou ainda para assegurar a aplicação da pena”, escreveu.

 

A operação

A Operação Aposta Perdida, deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco), apura suspeita de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração de jogos de azar online, conhecidos como “ jogo do tigrinho”.

Além de Wilton, também foram alvos sua esposa, a influenciadora Jéssica Orben Vasconcelos Magalhães, a irmã dela,  Williane Orben V. Vasconcelos Coutinho, e o empresário Erison Coutinho, proprietário da loja Rei dos Panos e marido de Williane.

 

Wilton é apontado pela Polícia Civil como o principal articulador do esquema, com atuação central na movimentação financeira e na ocultação de valores obtidos com a divulgação de jogos de azar. Ele é proprietário da revendedora W-Car Multimarcas.

 

De acordo com a investigação, o casal e a irmã de Jéssica, Williane, conhecida nas redes como Lili Vasconcelos, utilizavam as plataformas digitais para promover os jogos, atraindo participantes com promessas de ganhos fáceis e elevados. Os recursos obtidos de forma ilícita eram, conforme apurado, destinados à compra de bens de alto valor, como imóveis e veículos importados, frequentemente exibidos online.

 

Ainda segundo as apurações, o esquema apresentava características típicas de pirâmide financeira, em que os rendimentos dependiam da entrada de novos participantes. A ostentação de uma vida de luxo, com viagens internacionais e aquisição de bens de alto padrão, funcionaria como estratégia para atrair novos usuários.

 

Outro ponto destacado pela Polícia Civil foi o padrão de vida considerado incompatível com a renda formal declarada. Conforme a investigação, mesmo vinculados a empresas de pequeno e médio porte, os investigados adquiriram, em curto espaço de tempo, imóveis de alto padrão, veículos de luxo e passaram a exibir elevado poder aquisitivo nas redes sociais, sem lastro econômico lícito que justificasse as aquisições.

 

As 34 ordens judiciais foram cumpridas em Cuiabá e Várzea Grande, além do município de Itapema, no estado de Santa Catarina. Foram sete mandados de busca e apreensão domiciliar e empresarial, duas suspensões de atividades econômicas, dois bloqueios de contas em redes sociais, cinco sequestros de imóveis, quatro sequestros de veículos, quatro cautelares de apreensão de passaporte e 10 bloqueios de contas físicas e jurídicas no valor de R$ 10 milhões.