Maysa acusa vice-líder de Abilio de copiar CPI da Educação.
A vereadora Maysa Leão (Republicanos) acusou aliados do prefeito Abilio Brunini (PL) de articularem uma manobra para assumir o controle da CPI que pretende investigar contratos da Educação Municipal. A declaração foi dada no final da manhã desta quinta-feira (28.05), após descobrir que o vice-líder do Executivo na Câmara, Demilson Nogueira (PP), protocolou um pedido de CPI com o mesmo objeto da proposta apresentada por ela horas antes.
Segundo Maysa, ela procurou Demilson logo pela manhã para pedir apoio à investigação sobre as denúncias de supostas irregularidades na Educação levantadas pelo próprio prefeito no dia anterior. Conforme relatou, o parlamentar afirmou que não poderia assinar o pedido por exercer a função de vice-líder de Abilio, mas teria manifestado apoio à iniciativa.
Pouco depois, entretanto, a vereadora afirma que foi surpreendida pela apresentação de uma segunda CPI com conteúdo semelhante. “Quando ele viu que eu estava coletando as assinaturas suficientes, ele produziu uma CPI do mesmo tema. Enquanto eu corria para conseguir as assinaturas, eles corriam para bloquear uma CPI legítima que foi apresentada primeiro”, declarou.
A parlamentar sustenta que não existe diferença de conteúdo entre os dois pedidos e que a disputa se resume ao controle da comissão. “Se a CPI dele não tem diferença nenhuma da minha, a única diferença é quem a apresenta e quem será o presidente da CPI. Então, por que ele precisa ser o presidente dessa CPI?”, questionou.
Maysa afirmou que sua proposta atingiu o número mínimo de assinaturas antes da iniciativa do vice-líder do prefeito. De acordo com ela, a nona assinatura necessária para viabilizar sua CPI foi registrada 40 segundos antes da assinatura que tornou apta a proposta concorrente.
“A minha CPI foi assinada primeiro, atingiu as nove assinaturas primeiro e foi protocolada. Na única situação semelhante que ocorreu nesta Casa, o critério utilizado foi justamente o horário da nona assinatura”, argumentou.
A vereadora classificou a movimentação como uma tentativa de interferir na condução das investigações sobre contratos da Educação. “Se o desejo era investigar, ele já teria chegado com essa CPI pronta hoje de manhã. Eu fui a primeira pessoa a conversar com ele e não existia CPI nenhuma”, afirmou.
Durante a entrevista, Maysa também levantou dúvidas sobre a independência de uma eventual comissão presidida por integrantes da base governista.
“Todas as cinco CPIs que existem hoje na Câmara estão olhando para o retrovisor e investigando a gestão passada. Agora o prefeito foi a público dizer que vê indícios de um ilícito que pode chegar a R$ 80 milhões na gestão dele. Quando uma vereadora apresenta uma CPI para apurar isso, começam a correr para produzir outra”, criticou.
A parlamentar afirmou ainda que, caso a proposta apresentada posteriormente seja reconhecida como prioritária, ficará caracterizada uma mudança de entendimento da própria Câmara. “Se a deles ficar na frente, aí a gente vai ver o que é manipular regras que já foram aplicadas anteriormente. Eu estou chocada com o nível de manipulação”, disparou.
A definição sobre qual das duas propostas terá prioridade deverá ser analisada pelos setores administrativos e pela Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá.














