Ex-funcionário revelou esquema durante depoimento.
O empresário Lucas Gabriel Uliano foi condenado por participação em um esquema de fraudes financeiras que, segundo as investigações, movimentou mais de R$ 1 milhão por meio de falsos anúncios de venda de imóveis divulgados pela internet. A sentença foi proferida pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, nessa segunda-feira (15.06).
De acordo com a decisão, Lucas comandava a atuação da empresa AL Administradora de Consórcios EIRELI e orientava vendedores a apresentar contratos de consórcio como supostos “autofinanciamentos”, omitindo dos clientes informações essenciais sobre a modalidade efetivamente contratada.
Para o magistrado, a estratégia induzia consumidores a acreditar que teriam acesso rápido e garantido a recursos para aquisição de imóveis, quando, na realidade, estavam aderindo a grupos de consórcio sem qualquer garantia de contemplação imediata.
Uma das vítimas do esquema foi a consumidora identificada pelas iniciais L.F.D.A., que buscava recursos para comprar uma casa para o filho em Cuiabá. Conforme os autos, ela foi atraída por um anúncio divulgado no Facebook que prometia facilidade na obtenção de crédito imobiliário.
Após procurar a empresa, a vítima foi convencida a desembolsar R$ 7.567,66 em taxas iniciais sob a promessa de receber rapidamente uma carta de crédito de R$ 150 mil. Somente após a contratação descobriu que havia aderido a um consórcio, e não a um financiamento imobiliário.
Durante a instrução processual, um ex-funcionário revelou que recebeu treinamento para vender o produto como “autofinanciamento” e evitar mencionar aos clientes que se tratava de um consórcio. Segundo o depoimento, as orientações partiam diretamente de Lucas Gabriel.
Na sentença, o juiz destacou que a publicidade utilizada e a forma de abordagem comercial tinham o propósito de criar uma falsa percepção sobre a natureza do serviço oferecido.
A defesa alegou que o empresário não participou diretamente da negociação realizada com a vítima. O argumento, entretanto, foi rejeitado. Para o magistrado, ficou comprovado que Lucas exercia o comando da operação, treinava os vendedores e definia a estratégia de comercialização adotada pela empresa.
A Justiça também analisou a situação da ex-esposa de Lucas, Ayla Tamires Soares Cruz. Embora integrasse o quadro da empresa, ela foi absolvida por falta de provas de que tivesse conhecimento ou participação na prática fraudulenta.
Ao fixar a pena, o juiz considerou como circunstância desfavorável o uso de redes sociais e aplicativos de mensagens para ampliar o alcance das fraudes e aumentar o número potencial de vítimas.
Lucas Gabriel Uliano foi condenado a 2 anos e 4 meses de detenção, em regime inicial aberto. A pena privativa de liberdade foi substituída por duas penas restritivas de direitos, que serão definidas em audiência judicial.
O que o site mtverdade descobriu também que Ayla e Lucas também já foram presos no estado de Goiás.
‘Golpe da carta contemplada’: três pessoas são presas suspeitas de causar prejuízo de mais de R$ 200 mil a 10 vítimas
Segundo a policia do estado de Goiás, o trio tinha como foco pessoas de baixa renda, eles tinham uma sala comercial no setor oeste, onde recebiam as vitimas e aplicavam os golpes.
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