Apenas entre janeiro e 15 de junho, Grupo Globo recebeu R$ 33 milhões; PL questiona despesas no TSE por suposto excesso de gastos em ano eleitoral
A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destinou R$ 178 milhões à publicidade institucional entre 1º de janeiro e 15 de junho de 2026. Os recursos foram administrados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e contemplaram campanhas divulgadas em emissoras de televisão, plataformas digitais, jornais e serviços de streaming.
Do total desembolsado no período, o Grupo Globo foi o principal beneficiado, recebendo R$ 33 milhões para veiculação de campanhas oficiais. Em segundo lugar aparece o Google Brasil, com R$ 23 milhões, seguido pela Meta, controladora do Facebook e Instagram, que recebeu R$ 18,6 milhões.
Também figuram entre os maiores destinatários das verbas o Grupo Record, com R$ 13,4 milhões, o SBT/SBT News, com R$ 5,9 milhões, o Kwai Brasil, com R$ 4,6 milhões, a Amazon/Prime Video, com R$ 4,3 milhões, a JCDecaux, com R$ 3,7 milhões, a ESPN/Disney+, com R$ 2,6 milhões, e a Netflix, com R$ 2,3 milhões.
A CazéTV recebeu R$ 1,3 milhão para divulgar campanhas do governo federal. A plataforma esteve recentemente no centro de debates envolvendo publicidades relacionadas a casas de apostas e medidas adotadas pelo Ministério da Justiça.
Os valores divulgados referem-se exclusivamente aos gastos da Presidência da República e não incluem investimentos publicitários realizados por ministérios e outros órgãos da administração federal. Desde 2017, essas informações deixaram de ser consolidadas após a extinção do Instituto de Acompanhamento de Publicidade (IAP).
Desde o início do terceiro mandato de Lula, em janeiro de 2023, a Secom já destinou quase R$ 1 bilhão para publicidade institucional. Os gastos cresceram ano após ano: foram R$ 175,9 milhões em 2023, R$ 234,9 milhões em 2024, R$ 365,7 milhões em 2025 e R$ 178 milhões apenas até a metade de junho de 2026.
As campanhas veiculadas neste ano abrangem 49 temas, entre eles programas como Pé-de-Meia, Bolsa Família e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, que concentra o maior número de contratos publicitários.
No último dia 24 de junho, o Partido Liberal (PL) ingressou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a suspensão das campanhas institucionais do governo. A legenda sustenta que a administração federal ultrapassou em R$ 42 milhões o limite legal de gastos com publicidade no primeiro semestre de um ano eleitoral.
Segundo o partido, o uso da publicidade institucional poderia caracterizar utilização da máquina pública para favorecer o presidente em meio ao calendário eleitoral. As campanhas para as eleições de 2026 têm início oficial em 16 de agosto.
Ranking dos maiores beneficiários da publicidade federal entre janeiro e 15 de junho de 2026:
- Grupo Globo – R$ 33 milhões
- Google Brasil – R$ 23 milhões
- Facebook/Meta – R$ 18,6 milhões
- Grupo Record – R$ 13,4 milhões
- SBT/SBT News – R$ 5,9 milhões
- Kwai Brasil – R$ 4,6 milhões
- Amazon/Prime Video – R$ 4,3 milhões
- JCDecaux – R$ 3,7 milhões
- ESPN/Disney+ – R$ 2,6 milhões
- Netflix – R$ 2,3 milhões.















