O júri de Carlos Alberto Gomes Bezerra foi adiado após a defesa alegar falta de tempo para alaisar os autos e abandonar o plenário durante o júri.

A promotora de Justiça Elide Manzini chamou de absurda a atitude da defesa do réu Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, que abandonou o plenário, durante o Tribunal do Júri, hoje (21), em Cuiabá. Com a “manobra” conseguiram adiar o julgamento pelo feminicídio de Thays Machado, ex-namorada do réu, e o assassinato d namorado dela, Willian Moreno.

“É um absurdo, uma aberração uma medida protelatória, após mais de três anos do fato a  defesa alega nulidades que não existem”, criticou.

A promotora aponta que a defesa de Carlinhos se vê encalacrada pela cobrança de resposta da sociedade de cobra punição pelo crime de grande repercussão, e por isso foge do plenário para tentar ganhar tempo.

Na última semana a defesa apresentou quatro recursos tentando adiar o julgamento.

 

O júri foi remarcado para o dia 31 de julho e o réu foi intimado a designar qual será sua defesa. Caso os advogados não compareçam ou abandonem o plenário, a Defensoria Pública, já está intimada e deve seguir com o julgamento.

 

O caso

O crime ocorreu no dia 18 de janeiro de 2023, em frente ao edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá.

Carlinhos, que é filho do ex-governador Carlos Bezerra, foi preso no mesmo dia do crime, em uma fazenda da família, no município de Campo Verde.

As investigações apontaram que, antes do duplo homicídio, Carlinhos monitorava a ex-namorada e tinha informações detalhadas sobre seus deslocamentos. Foram encontrados 71 registros de localização de lugares frequentados pela vítima. Ele fazia o download no celular e, depois, imprimia os dados de geolocalização. Além disso, os programas teriam sido instalados ainda durante o relacionamento.

Thays Machado já havia registrado boletim de ocorrência contra Carlinhos e, segundo a polícia, o crime ocorreu quando ela estava no prédio para devolver o carro que havia emprestado da mãe para buscar o namorado no aeroporto.

Em novembro do mesmo ano, Carlinhos chegou a obter o benefício da prisão domiciliar por decisão do Tribunal de Justiça, em razão de problemas de saúde apresentados pela defesa. A medida permitia que ele permanecesse em casa, monitorado por tornozeleira eletrônica e submetido a uma série de restrições, entre elas a proibição de sair da residência sem autorização judicial e a obrigação de apresentar relatórios médicos periódicos sobre seu estado de saúde.

No entanto, em fevereiro de 2024, o Ministério Público pediu a revogação da prisão domiciliar após apontar que Carlinhos teria descumprido as condições impostas pela Justiça.

Relatórios do monitoramento eletrônico registraram deslocamentos para diversos locais não autorizados, incluindo um passeio em Rondonópolis acompanhado de seguranças, além de outras saídas incompatíveis com a medida cautelar.

O MP também sustentou que os laudos médicos apresentados não demonstravam um quadro de extrema debilidade que justificasse a permanência em prisão domiciliar.

Ao analisar o caso, a Justiça concluiu que os requisitos para manter o benefício deixaram de existir e que as doenças apresentadas eram passíveis de tratamento no sistema prisional.

Desde então, a defesa do acusado apresentou uma série de recursos com o objetivo de adiar a realização do julgamento, mas sofreu sucessivas derrotas na Justiça em todas as instâncias.

Inicialmente, a sessão estava marcada para o dia 7 de julho, porém foi adiada para esta terça-feira, a pedido de Elson Marcelino da Silva Júnior, que alegou a necessidade de analisar materiais produzidos durante a investigação.